sábado, 7 de agosto de 2010

Le Châtiment


Le Châtiment por Patrick Delperdange, André Taymans e Raphael Schierer


Lefranc, o herói criado por Jacques Martin que faleceu em Janeiro último, continua vivo, activo, a desvendar mistérios e a evitar tragédias.

Agora com o argumento de Patrick Delperdange e os desenhos de André Taymans e Raphael Schierer, que captaram a essência do personagem e fazem aqui um bom álbum de continuação desta série de banda desenhada.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Lord Beresford e a intervenção britânica em Portugal 1807 - 1820





Aspectos e episódios menos conhecidos da vida de Beresford em Portugal. Quem sabe ou lembra que no final do ano de 1807 um frota inglesa comandada pelo Almirante Samuel Hood ocupou a ilha da Madeira.


A ilha foi declarada colónia britânica e os funcionários portugueses obrigados a juramento de fidelidade ao monarca da Grã-bretanha. Beresford foi o Governador nomeado para dirigir a Madeira. Esteve no cargo poucos meses mas introduziu várias reformas.


Interessante a sua opinião sobre a magistratura portuguesa: "na verdade os salários são tão insuficientes para prover às despesas das pessoas que os auferem que a intensão quase parece ser - e seguramente assim é interpretada - levá-las a remunerarem-se de outras formas" (pp. 58).


O livro também nos dá conta da forma como Beresford conduziu a batalha da Albuera contra os franceses e de como o seu conflito com os Regentes levou ao trágico desenlace do caso Gomes Freire de Andrade.Um livro de História bem argumentado e bem assente em documentos da época.

sexta-feira, 30 de julho de 2010


Social Capital por John Field


Um resumo sério e muito completo do conceito de capital social. John Field é um académico mas o livro é acessível a leigos.

Altamente recomendável.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Portugal, Povo de Suicidas

Portugal, Povo de Suicidas por Miguel Unamuno

Unamuno era um profundo conhecedor de Portugal, da língua e da literatura portuguesa e dos seus mais destacados intelectuais. Foi amigo e correspondente de figuras como Guerra Junqueiro e Teixeira de Pascoaes entre outros.

Do seu posto de reitor da Universidade de Salamanca procurou em várias intervenções académicas e jornalísticas levar o conhecimento dos autores portugueses ao público espanhol.

A visão que desenvolveu dos escritores e intelectuais portugueses levou-o a escrever que: “Os poetas portugueses são geralmente pouco eruditos, mesmo em matéria de letras. As suas leituras não são muitas nem muito variadas e a sua cultura é muito mais vernácula do que eles próprios crêem” (pp. 33).

A par com esta ignorância das elites intelectuais, Unamuno detecta nestas duas outras tendências vincadas: i) o culto da dor – “O culto da dor parece ser um dos sentimentos mais característico deste melancólico e saudoso Portugal” (pp. 25) e, ii) a prática do suicídio – “ Portugal é um povo de suicidas, talvez um povo suicida” (pp. 73).

Este é um livro que mostra as elites intelectuais portuguesas e o seu pensamento vistos pelos olhos de quem os conhecia bem.

sábado, 24 de julho de 2010

Amar de Novo

Amar de Novo de Doris Lessing

Este é um livro complexo, denso, extenso.

Num primeiro momento diremos que versa os amores impossíveis. E estes são vários: o de Julie Vairon, a bela e culta mulata da Martinica enamorada sucessivamente de dois nobres franceses, o do aristocrata inglês por Julie já morta e enterrada noutro século e noutro lugar, os de Sarah por membros da companhia de teatro que dirige e finalmente o de Andrew um actor texano por Sarah. Mas também o amor conjugal e filial falhado do irmão de Sarah. E o de Susan, a actriz que personifica Julie e Stephan. Muitos amores infelizes. Cada um à sua maneira.

Por isso numa segunda aproximação diremos estarmos na presença de um longo e minucioso catálogo dos obstáculos que tornam a felicidade impossível. Entre Julie e os seus amantes ergue-se, intransponível, a barreira da classe e do racismo, entre Stephan e Julie interpõe-se a morte, que transforma este amor numa impossibilidade absoluta, entre Sarah e Bill e Henry existe a diferença de idades, esse terrível preconceito social e o amor de Andrew por Sarah não é correspondido. Obstáculos insuperáveis, monstruosos que acabam por destruir os amantes menos avisados.

A cada obstáculo corresponde o seu desenlace natural: Stephan acaba por se juntar à sua amada, suicidando-se, Henry refugia-se no amor paternal, Andrew, americano pragmático, regressa a casa e casa-se com a consciência que será infeliz, Hall, o irmão de Sarah, vê a mulher abandoná-lo.

Muitos nos dizem que o segredo de envelhecer bem está na capacidade de manter o espírito jovem e ocupado com assuntos interessantes. O caso de Sarah mostra-nos exactamente o oposto. Mostra-nos a prisão que a nossa idade pode ser, as restrições que impõe, as limitações sociais que acarreta. O espírito, jovem e livre, sente e vive o amor, as suas doçuras e as suas agruras, mas a idade, e os preconceitos sociais a ela associados, impede a felicidade.

domingo, 4 de julho de 2010

Bartleby


Bartleby por Herman Melville

O estranho comportamento de Bartleby o novo escrivão do escritório de advocacia é surpreendente. Primeiro recusa-se a conferir os documentos e depois, pouco a pouco, todo e qualquer trabalho. Vemos a solidão e o abandono crescer em torno de Bartleby enquanto o seu comportamento se torna cada vez mais passivo. Dorme e come no escritório que se recusa a abandonar e, no final, tem de ser o escritório a mudar-se para se ver livre dele.

O absurdo, a doença mental, o mistério do comportamento humano - “Ah, Bartleby! Ah, humanidade!” - num pequeno conto do autor de Moby Dick.

O conto foi já transcrito para o cinema várias vezes e tem dado origem a múltiplas e variadas interpretações.

domingo, 27 de junho de 2010

A Science Fiction Omnibus

A Science Fiction Omnibus editado por Brian Aldiss

Um livro de contos organizado por um dos grandes autores de ficção científica de sempre, Brian Aldiss. Entre os mais de trinta autores representados estão também outros monstros sagrados deste género literário como A.E. van Vogt, Isaac Asimov mas também de outras famílias como John Steinbeck.

Tem textos admiráveis. Numa única página Frederic Brown conta-nos Answer, a surpreendente e definitiva resposta que o Homem obteve do mais potente processador, uma máquina que acabava de ligar todos os computadores existentes no universo. A pergunta é simples e, apesar do enredo se passar num futuro distante quando o Ser Humano tiver colonizado as galáxias mais longínquas, reflecte uma velha e intemporal dúvida: “Deus existe?”

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Jerusalém



Jerusalém por Gonçalo M. Tavares


Quando as frases se repetem ipsis verbis estaremos perante um erro desastrado ou uma técnica inovadora? Quando a loucura é tal impõe-se reflectir se Pessoa não teria razão ao dizer que o “poeta é fingidor/ finge tão completamente / que chega fingir que é dor / a dor que deveras sente”.

Este livro tem uma moral prática. Diz-nos que é perigoso deixar os loucos sem vigilância e sem tratamento. Que a sua condição de doentes os leva a irreflectidamente e sem malícia a cometer os mais variados crimes e as mais abomináveis maldades. Diz-nos o que acontece quando “os loucos tomam conta do manicómio”.

Uma escrita linear, repetitiva, enfadonha, sem floreados mas também sem sal, uma estrutura narrativa gasta de tanto uso, um enredo linear e previsível.

Gonçalo M. Tavares inclui esta obra num conjunto que denomina de livros negros. Tem razão. Um livro negro, no sentido de que quando fazemos asneira, algo que nos envergonha, sentimos que devemos pintar a cara de ... preto.

sábado, 19 de junho de 2010

O Dilúvio


O Dilúvio de Henryk Sienkiewicz

O Dilúvio é uma história de um amor em tempo de guerra. A época da invasão sueca da Polónia em meados do século XVII é conhecida, tal a destruição, tal o barbarismo dos nórdicos, por Dilúvio.

Esta é uma obra-prima da literatura mundial, um épico que nos revela o melhor e o pior da alma humana, muitas vezes reunidos num só indivíduo. A heróica defesa, a traição de nobres, a deserção de soldados, a fidelidade do povo, a grandeza da alma polaca.

A tradução de L. Costa é péssima, a edição da Portugal Press deficiente, o exemplar que comprei tinha duas folhas em branco, e descuidada, as gralhas abundam. Um mau serviço a um dos maiores escritores de sempre e que ainda em vida viu o seu talento reconhecido tendo recebido o Prémio Nobel em 1905.

domingo, 13 de junho de 2010

Bowling Alone


Bowling Alone de Robert D. Putnam

Para além do capital que conhecemos, acumulação de trabalho na forma de capital físico ou financeiro, existe também o capital humano, os conhecimentos e os saberes que cada indivíduo possui e o capital social, o conjunto de ligações que cada um de nós tem com outros - as redes sociais e as normas de reciprocidade e de confiança que delas emergem.

Robert D. Putman na esteira de James S. Coleman é o grande teorizador do capital social.

Nesta obra Putnam defende, apoiado numa bateria impressionante de dados de diferentes fontes, que o capital social está a diminuir na América – declínio da participação política, retrocesso no envolvimento cívico, afastamento das práticas religiosas, desfiliação sindical, abrandamento do voluntariado, contracção da filantropia e mesmo regressão nas formas mais elementares de interacção social, como os jantares de amigos, os jogos de bowling e os pic-nics. Simultaneamente a confiança dos americanos uns nos outros e a honestidade está igualmente a definhar.

Contra a corrente de retracção social Putnam identifica o crescimento dos pequenos grupos, como os de leitura, os movimentos sociais, por exemplo o Greenpeace, e as redes sociais baseadas na internet. Infelizmente muitos dos novos movimentos sociais, são organizações do tipo “terciário” com um pequeno núcleo de profissionais sedeados em Washington, onde fazem lobby junto dos políticos, apoiados por um conjunto de pessoas cuja intervenção se resume às contribuições monetárias e que se não conhecem mutuamente. Este tipo de organização, naturalmente, não contribui para o capital social.

Putnam procura num segundo momento identificar as causas da redução do capital social e encontra várias: i) a televisão contribui com a maior fatia (50%) para a redução do capital social (o tempo que as pessoas ocupavam a participar em organizações cívicas, em voluntariado, no activismo sindical ou político, é agora ocupado em frente do televisão), ii) o espraiar espacial, os americanos vivem num local, trabalham noutro, fazem as suas compras num terceiro, o que implica maiores tempos em deslocações e maior anonimato nos contactos, iii) o trabalho feminino por necessidades económicas, interessantemente as mulheres que trabalham porque querem mostram em geral um maior envolvimento social do que as que não trabalham e finalmente iv) as dificuldades económicas que a precarização e a globalização introduziram. Estas causas tendo emergido ao longo da segunda metade do século XX afectaram de forma desigual as diferentes gerações. Assim as geração mais velha, nascida na primeira metade do século (antes da TV) mostra hábitos gregários mais fortes, enquanto as gerações seguintes evidenciam índices cada vez mais fracos.

Num terceiro momento Putnam pergunta porque devemos preocupar-nos com o declínio do capital social. A sua resosta é porque o capital social é de importância crucial para: i) a educação das crianças, II) a saúde, estudos revelam que é equivalente para a saúde deixar de fumar ou aderir a uma organização que reúna pelo menos uma vez em cada 15 dias, investigações também demonstraram que quem adere a uma organização reduz o perigo de morte no ano seguinte em 50%, iii) a felicidade, varias autores defendem que a felicidade depende da forma de integração social e que os isolados são muito mais propensos à depressão e ao suicídio, iv) o progresso económico, o capital social propícia o crescimento económico, v) a democracia, sem participação dos cidadãos é difícil imaginar uma democracia.

Num último momento Putnam reflectindo sobre a História americana, aponta algumas pistas para o revigorar do capital social na América.

Um livro, não traduzido em português, mas que seria bom que os políticos, os líderes económicos e sociais o lessem, porque ajuda a perceber as causas do atraso português.