
domingo, 31 de outubro de 2010
Cantatrix Sopranica L. et autres écrits scientifiques

domingo, 24 de outubro de 2010
A arte e o modo de abordar o seu chefe se serviço para lhe pedir um aumento

A escrita constrangida – o texto segue um esquema elaborado por outra pessoa – de George Perec é fluida, clara e bem humorada. Não há virgulas, pontos de exclamação, de interrogação, ponto e virgula, ou qualquer outra pontuação. O texto é um grande parágrafo único, que se desdobra sequencialmente enumerando todas as possibilidades que se oferecem ao funcionário para abordar o seu chefe de serviço para lhe pedir um modesto aumento de vencimento mensal.
Perec, considerado por alguns o maior escritor francês da segunda metade do século XX, pertenceu ao movimento OuLiPo (Ouvroir de littérature potentielle), movimento de aproximação da literatura e da matemática animado entre outros por Raymond Queneau, François Le Lionnais, Italo Calvino.
Estes escritores utilizaram técnicas divertidas como a Bola de Neve – em que num texto cada palavra tem uma letra mais do que a precedente – o Lipograma – em que num texto não existe uma ou mais letras (Perec escreveu o volumoso romance A Desaparição em que a letra “e”, tão frequente no francês, está totalmente ausente) e o Palíndromo – em que uma frase pode ser lida da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda (exemplos: i) com uma palavra: reger, saias; ii) frase completa: Adias a data da saída, A rara arara, Roma é amor).
Pena é que a parte mais importante e relevante da obra de George Perec não esteja traduzida para português.
sábado, 23 de outubro de 2010
Hípias (Menor)

Casas Clandestinas

domingo, 17 de outubro de 2010
Super Freakonomics

Cincoenta perguntas sobre Portugal

quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Sangue no pescoço do gato

Uma peça de teatro sobre as relações humanas, uma tipologia crítica do relacionamento entre homem e mulher em diversos extractos sociais e profissionais. Algumas situações muito bem observadas, mas muitas outras não ultrapassam o estereótipo corrente.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Os Conjurados

“A tarde elementar ronda a casa.
A de ontem, a de hoje, a que não passa”
Os Conjurados é uma pequena colecção de poemas e pequenos textos de Jorge Luís Borges unidos sob um tema magno na sua obra: a conjura. Não a conjura política que visa o derrube deste ou daquele governo ou regime, não a conjura criminosa que planeia um roubo ou um assassinato, antes a grande conjura que é a Vida, em todos os acontecimentos estão subtilmente, mas ferreamente, interligados, em que causas e consequências se confundem e se sucedem, em que presente e passado se justificam mutuamente, em que tudo é único, todo e parte, simultâneo, anterior e posterior.
Uma frase: “Tua será também a certeza de que o Tempo se esquece dos ontens, e de que nada é irreparável ou a contrária certeza de que os dias nada podem apagar e de que não há um acto, ou um sonho, que não projecte uma sombra infinita”.
Um livro extraordinário. Como todos os de Jorge Luís Borges.
Voo Nocturno

Um livro que nos mostra como é possível inculcar noutros um sentimento de dever muito para além do que é razoável e leva-los a assumir riscos mortais ao serviço de empresas comerciais. A linguagem poética e a exaltação das proezas dos pilotos quase nos fazem esquecer que se trata de uma simples companhia de transporte aéreo em concorrência com o caminho de ferro. Uma causa pela qual não vale, seguramente, a pena morrer.
Existe um clima de ardor heróico, de exigência, de rigor sem falhas, uma cultura de superação individual do medo e da adversidade que levam os indivíduos a arriscar a própria vida. Para estes pilotos já não se trata da empresa, de simples trabalho, e aí está a perigosa técnica da alienação, mas de se superarem a si mesmos, de enfrentarem vitoriosos o seu medo, de vencerem a noite e os seus perigos.
Na introdução André Gide escreveu: “Estou-lhe particularmente grato por ter esclarecido esta verdade paradoxal, para mim duma importância psicológica considerável: que a felicidade do homem não está na liberdade mas na aceitação de um dever”.
O livro poderia ser uma denúncia de uma técnica psicológica perigosa, Saint-Exupéry preferiu escrevê-lo como uma apologia e uma justificação do líder que consegue o máximo dos seus empregados.
Este lado negro do texto não apaga a escrita brilhante nem as ternas imagens que constrói. Um talento desperdiçado em favor de uma causa muito negativa.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
Três contos da ìndia

Nestes contos a Índia é apresentada no seu pior: o sistema de castas, o vício do ópio, o ódio e a violência entre comunidades religiosas. Realidades duras mas, sem dúvida, amargas e duras para quem as vive, mas que não autorizam as conclusões que Kipling delas retira, nomeadamente que a Índia “Nunca há-de governar-se sozinha” (pp. 53).
