
Na exposição brilha “Um Gabinete de Amador”, um quadro do jovem pintor Kurtz que mostra um coleccionador, um rico industrial da cerveja alemão radicado nos EUA, rodeado dos seus quadros. Naturalmente entre as obras retratadas está o próprio quadro de Kurtz, e neste se reproduz uma segunda vez todos os outros incluindo ele próprio e assim sucessivamente. Mas as reproduções dos quadros dentro do quadro, vão tendo pequenas, mas interessantes, alterações. Cada camada da cebola é diferente e semelhante da que a precede e da que a sucede.
George Perec é por muitos considerado o melhor escritor francês do século XX. Filho de judeus polacos nasce em Paris em 1936. O pai morre em combate durante a II Grande Guerra. Mãe é presa em 1943 e enviada para Auschewitz sendo morta pelos alemães. Estudou sociologia. Morreu de cancro com 45 anos em 1982. Deixou uma obra genial, ainda pouco traduzida e conhecida em Portugal.
Warren Motte escreveu que George Perec “referiu um dia que a que o seu trabalho era animado por quatro preocupações principais: uma paixão pelos, aparentemente triviais, detalhes da vida quotidiana, um impulso para a autobiografia e para a confissão, uma vontade de inovação formal e um desejo de contar histórias atraentes e absorventes”.









