segunda-feira, 6 de julho de 2015

Contos



Contos de Daphne du Maurier

Um excelente conjunto de cinco contos da escritora inglesa, Dama do Império Britânico, que se celebrizou com o romance "Rabeca", considerado a sua obra-prima, um livro em que plagiou o livro "A Sucessora" da autora brasileira Carolina Nabuco.  

Destes contos destaque para “Os Pássaros” o conto que inspirou Alfred Hitchcock para a realização do filme com o mesmo nome. Gostei particularmente de “Não Olhes Agora” em conto, passado em Veneza, em que o crime e o sobrenatural se misturam e em que o cepticismo é castigado.

“O Velho” tem um final surpreendente que lembra um conto de Horace Walpole e “As Cartas Dele Tornaram-se mais frias” relata-nos, através da correspondência trocada, a evolução de um caso amoroso entre o dono de uma plantação na Índia de visita à Inglaterra e a irmã do seu melhor amigo.

Por último em “Um Caso Limite” temos a história de uma jovem que inadvertidamente descobre com horror a sua verdadeira árvore genealógica.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Parlamento Português




O Parlamento Português por Jorge Fernandes

Um pequeno guia comparativo da Assembleia da República com os principais parlamentos europeus.

As eleições, a estrutura do voto, o método de transformação de votos em mandatos, o número de deputados, os gastos por deputados, a organização interna, os debates, a participação cidadã através de petições e requerimentos, a perda de poderes da AR em favor das estruturas da União Europeia, são temas aqui analisados de forma sucinta.

Em conclusão pode dizer-se que o parlamento português é caro, com um custo por deputado acima da média europeia, e ineficiente, na medida em que não dispõe dos meios técnicos, nomeadamente técnicos especializados, necessários ao acompanhamento da legislação que produz, da que vem do governo e principalmente da que tem como fonte a União Europeia.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Pour les musulmans



Pour les musulmans de Edwy Plenel




O título pode ser traduzido como Pelos Muçulmanos ou A Favor dos Muçulmanos e é uma réplica intencional do livro de Émile Zola Pelos Judeus que o célebre autor escreveu contra o anti-semitismo que grassava na sociedade francesa de finais do século XIX e que lhe valeu uma condenação a pena de prisão. O anti-semitismo francês acabou por desaguar na tragédia da exterminação dos judeus levada a cabo pelo governo do General Petain durante a II Guerra Mundial.

Hoje os muçulmanos franceses ocupam o lugar dos judeus como bode expiatório dos falhanços da sociedade francesa. Este livro é uma denúncia dos métodos de estigmatização da comunidade muçulmana, da tentativa de amalgamar terrorismo com fé muçulmana e esta com imigração ilegal e com a etnia árabe e magrebina, quando na verdade todos somos diferentes qualquer que seja a nossa religião e quando a grande maioria dos muçulmanos residentes em França são de nacionalidade francesa e não são terroristas. Seria como dizer que todos os cristãos são assassinos de mulheres porque um cristão matou a sua companheira como tanto acontece em Portugal.

Denúncia também a tentativa do Governo francês de querer retirar a nacionalidade francesa a algumas pessoas o que criaria dois tipos de cidadãos os de primeira com direito, independentemente dos crimes que cometa, a ser sempre francês e os de segunda a quem poderia ser retirada a qualquer momento a nacionalidade.  

Um aspecto importante neste cerco mediático e neste ataque racista aos muçulmanos é a perseguição aos seus símbolos religiosos em nome do Estado laico pervertendo a essência do laicismo que é a liberdade de culto, a igualdade das religiões e a sua separação do Estado.

Um excelente texto em defesa da liberdade e contra a diabolização de grupos extensos da população francesa com base em generalizações mentirosas e preconceitos inaceitáveis.

sábado, 27 de junho de 2015

Portugal: os Números

Portugal: os Números de Maria João Valente Rosa 

e Paulo Chitas




Um ensaio que nos relata em números a evolução de vários indicadores sociais portugueses, nomeadamente, demográficos, de rendimentos, de trabalho, de protecção social, de saúde e de justiça. É assim um trabalho que condensa em poucas páginas um conjunto de estatísticas importantes para compreender a sociedade portuguesa e o seu percurso nos últimos 50 anos, i.e., desde a década de 60 do século XX até à actualidade.

No entanto, à semelhança de tantos outros trabalhos deste tipo, os autores deslumbram-se pelas taxas de crescimento de alguns indicadores e esquecem-se que Portugal não está só no mundo e que é comparando com a evolução dos nossos parceiros, de outros países, principalmente de outras nações que partiram de situação semelhante, que é possível concluir se o balanço foi positivo, se houve efectivo progresso, e não apenas o simples passar do tempo com as inevitáveis alterações que acarreta.


 Assim o balanço que os autores fazem é, infelizmente, feito sem bases comparativas correctas e, desta forma, completamente subjectivo.