quinta-feira, 9 de abril de 2026

História da Franco-Maçonaria em Portugal (1733-1912)

 

História da Franco-Maçonaria em Portugal (1733-1912) por Manuel Borges Grainha

 

Uma das primeiras obras históricas sobre a fundação, o crescimento, a organização e as lutas dos pedreiros livres no nosso país. As primeiras lojas, no século XVIII, eram constituídas por estrangeiros residentes em Portugal, mas rapidamente os portugueses começaram a integrar-se e a fundar a sua própria organização. Esta primeira etapa, viveu-se sob a perseguição da Inquisição que não hesitou em espiar, prender e condenar os maçons.

 

Tendo resistido à Inquisição, a Maçonaria foi acossada pelo regime de Beresford, que prendeu e matou os Mártires da Pátria em que se incluía o Grão-Mestre da Maçonaria portuguesa, o General Freire de Andrade. A Ordem reorganizou-se e foi essencial para a Revolução de 1820 que depôs Beresford e instituiu um regime monárquico constitucional. Daí em diante a Maçonaria manteve-se uma força influente na democratização das instituições, no alargamento das liberdades e na difusão da instrução e educação.

 

Apesar de parcial – Borges Grainha era um destacado maçon – este livro constitui uma obra de referência para o estudo da Maçonaria.

 

Manuel Borges Grainha (1862-1925), republicano militante, professor, jornalista, político, maçon, deixou uma obra multifacetada.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

O Último a Sair

O Último a Sair por Mário Zambujal

 

Um amigo do inspetor Rodrigo Mendes aparece estrangulado num crime sem pistas definidas e sem suspeitos óbvios. Mas o polícia com a ajuda da sua ex companheira e antiga amante do morto vai investigar a vida e as amizades deste milionário, dono de grande parte do concelho em que vive.

 

Um policial leve, bem-humorado, divertido que descobre a alma humana nas suas múltiplas dimensões, com personagens caracterizadas a traços grossos, como Cacilda a triviúva, o seu marido mulherengo Gaspar Idalino, Lídia a psicóloga, o professor Virgolino, movendo-se todos numa trama surreal. Quem matou Pascoal Bilro apertando-lhe o pescoço na escuridão da noite. Uma coisa é certa o assassino foi o último a sair.

 

O tomo contém ainda um outro texto: o Conto final. Parágrafo com a história simples da rivalidade entre duas aldeias e o amor entre dois jovens.

 

Mário Zambujal (1936-2026), jornalista e escritor. Deixa obra numerosa, nomeadamente a Crónica dos Bons Malandros, Uma noite não são dias e Romão e Juliana. Alguns dos seus trabalhos foram adaptados para o cinema e para musicais. Publicou este livro para comemorar os seus 90 anos. Morreu uma semana depois.

 


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Transparência na Vida Pública


 

Transparência na Vida Pública por Susana Coroado

 

Portugal é um país em que a corrupção campeia. A perceção dos portugueses coloca-nos abaixo de alguns países africanos, asiáticos e latino-americano e longe da generalidade dos países europeus. No combate à fraude, ao compadrio, ao nepotismo, ao esbanjamento e apropriação dos fundos públicos a transparência é uma peça essencial.

 

Mas a transparência só funciona no seio de um ecossistema de integridade que integre a responsabilização e a punição dos culpados. A transparência sem esse ecossistema de investigação e das consequências judiciais apropriadas, pode funcionar como uma forma de desculpabilização e de branqueamento do crime (quase uma autorização para roubar às claras) que ainda desacredita mais o sistema político e administrativo do país.

 

Vemos então que a transparência não é uma panaceia universal, que sem outras componentes pode tornar-se contraproducente. Noutras circunstâncias, defesa nacional, concursos em curso, etc., a excessiva transparência pode ser muito prejudicial.

 

Há, então, que usar a transparência, permitindo um controlo cidadão das atividades político-administrativas, sempre acompanhada de um sistema de integridade pública que investigue e puna os infratores.

 

Um excelente livro que nos dá a verdadeira dimensão e eficácia da transparência e nos alerta para as suas limitações e perigos.

 

Susana Coroado é uma das mais brilhantes investigadoras portuguesas nesta área do conhecimento.