segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
A Festa da Insignificância
A Festa da Insignificância por Milan Kundera
O
regresso aos temas de sempre a leveza da
vida contraposta, sobreposta, justaposta ao peso da necessidade, da criação de
tudo o que tem valor. De um lado a seriedade, o fardo da responsabilidade do
outro a alegria, duas concepções filosóficas da vida sempre em confronto no
interior do ser humano tal como Milan Kundera o entende.
De
alguns episódios da vida de quatro amigos, e de uma anedota sobre Estaline o
autor faz uma ilustração de duas correntes filosóficas em diálogo. É Schopenhauer
quem tem razão e a dá a Estaline, um homem que dedicou toda a sua vida e
vontade a defender uma visão do mundo, uma representação da realidade? Ou é
Estaline que, pela sua prática, dá razão a Schopenhauer? E será a quebra dessa
vontade que explica a queda da União Soviética? E que importância têm estas
questões perante a morte?
Como
sempre aos olhos dos franceses os portugueses devem ocupar o lugar de
empregados da limpeza, humildes, ignorantes, ingénuos e na sua inocência
primitiva possuírem bom coração. O mito racista e paternalista francês que olha
o português como o bom selvagem aqui também espelhado. Francamente mau vindo de um escritor com a envergadura, a experiência e a idade de Kundera que devia saber melhor do que reproduzir estereótipos xenófobos.
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domingo, 7 de dezembro de 2014
As Coéforas de Ésquilo
Ésquilo (525 ac – 456 ac) foi um dos
maiores dramaturgos da antiguidade grega. Dele chegaram até nós um conjunto
pequeno mas extraordinário de peças de que As Coéforas são um dos expoentes. As coéforas são as carpideiras gregas que levavam oferendas aos mortos.
As Coéforas são a segunda peça de uma
trilogia – sendo Agamémnon a primeira e As Eumênides a terceira - que conta a história
de Agamémnon, Rei de Argos, e de seu filho Orestes.
Será legítimo um filho matar o assassino
de seu Pai? Segundo os costumes da época tal não só seria legítimo como era um
dever sagrado a que nenhum filho se devia furtar O mesmo costume que proclamava que nenhum filho deve matar sua
Mãe. Mas e se o assassino fosse a mulher do assassinado e Mãe do vingador?
Filho da assassina de seu Pai Orestes
enfrenta um dilema. Que fazer? Vingar o Pai e matar a Mãe ou deixar viver a Mãe não cumprindo a sua obrigação para com o seu Pai. Espartilhado entre duas Justiças, Orestes toma
uma decisão depois do seu reencontro com a sua irmã Electra.
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O Bastão de Licurgo
O Bastão de Licurgo
O Bastão de Licurgo, ou cítala, é um
sistema de comunicação encriptada inventado e utilizado pelos chefes militares espartanos.
Um bom título para uma aventura de espionagem, contra-espionagem, métodos de
cifragem e decifragem.
Tem-se tornado um hábito que em Dezembro
seja publicada uma nova aventura da dupla criada por Edgar P. Jacobs o capitão
Blake e o Professor Mortimer e que cada historia anual seja apresentada em duas
versões que apenas diferem na capa. A
deste ano é assinada por Yves Sente e André Julliard que já tinham colaborado
noutras aventuras dos dois ingleses.
Mas é tarefa inglória procurar continuar
a obra de Jacobs. Mais uma tentativa que fica longe do alvo.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Militarmusik
Militarmusik por Wladimir Kaminer
Um
retrato divertido da vida de um jovem na União das Repúblicas Socialistas
Soviéticas (URSS), a escola secundária, o conservatório, o teatro, a música underground, as viagens pelo imensidão
do país, os acampamentos nos bosques da Letónia, os concertos improvisados na
Ucrânia, o serviço militar no exército e depois do fim do socialismo a tentação
da emigração.
O
desenrasca, a cunha, as constantes bebedeiras, a flexibilidade na aplicação das
regras, o papel do Partido Comunista, dão-nos uma visão bem-humorada da
sociedade socialista muito distante da dos estereótipos propagandísticos com
que é descrita no Ocidente.
Fantástica
a parte final em que o narrador segue de comboio para Berlim e nos vai contando
as leituras que vai fazendo lendo vários livros ao mesmo tempo, intercalando livros
de ficção científica com a obra de Soljenítsin sobre campos de trabalho.
Escrito
por um russo emigrado na Alemanha, o livro é um misto de memórias da juventude vistas
recordadas pelo prima distorçor de uma imaginação fértil com uma fina análise
social dos últimos anos do socialismo soviético.
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