quarta-feira, 23 de julho de 2025

Um Homem sorri à Morte – com meia cara


 

Um Homem sorri à Morte – com meia cara de José Rodrigues Miguéis

 

Uma obra sobre a doença, o internamento numa grande e inóspita enfermaria hospitalar, sobre a morte como possibilidade real e temporalmente próxima. Uma descrição de sintomas, de tratamentos, da forma como somos tratados por médicos, enfermeiros e olhados pelos outros doentes. Uma análise da evolução das disposições e do estado de espírito do acamado, uma reflexão sobre os efeitos da doença na consciência e nos sentimentos do paciente.

 

Mas também a esperança de restabelecimento, os receios de sequelas incapacitantes, as dificuldades da convalescença pós-hospitalar.

 

Um trabalho profundo e sincero de partilha da experiência mais solitária do ser humano, a de enfrentar e combater a morte.

 

José Rodrigues Miguéis (1901 – 1980) foi um escritor, ensaísta, tradutor e intelectual americano nascido em Portugal. Destacou-se como uma das figuras mais relevantes da literatura do século XX em língua portuguesa. Teve um forte compromisso com ideais democráticos e antifascistas. Perseguido pelo fascismo exilou-se em Nova Iorque em 1935 onde exerceu a profissão de tradutor e foi o representante do PCP junto do Partido Comunista dos Estados Unidos. Tornou-se cidadão americano em 1942.

sábado, 19 de julho de 2025

As Filhas do Falecido Coronel


 

As Filhas do Falecido Coronel de Katherine Mansfield

 

Um pequeno conto, que num tom brando, suave, sussurrante nos descreve a vida pacata, vazia, hesitante de duas irmãs solteironas que devotaram toda a sua energia, todo o seu tempo a cuidar de um pai acamado e irascível.

 

O dia-a-dia, as preocupações, os temas fúteis, as memórias de pequenos nadas, a dificuldade de formar uma opinião e tomar uma decisão, o inexorável tempo que se escoa e aproxima o fim.

 

Que fazer agora que o coronel deixou este mundo? Agora que a juventude passou e a meia-idade se instalou?

 

A escrita de Katherine Mansfield envolve-nos completamente, transportando-nos para o mundo habitado pelas irmãs e pela criada Kate. Um retrato da vida de tantas mulheres presas ao cuidado da casa e dos familiares, privadas da possibilidade de conhecer o mundo e de construir o seu próprio caminho. Uma prisão que lhes retira discernimento e lhes destrói a autoconfiança.

 

Um pequeno texto com tantas questões, tantas implicações feministas e humanas.

 

Katherine Manssfield (1888-1923), escritora neozelandesa. Fixou-se na Europa, tendo vivido em Inglaterra, França, Bélgica, Alemanha e Suíça. Aderiu ao movimento modernista. Morreu aos 34 anos tuberculosa em França onde está enterrada.

terça-feira, 8 de julho de 2025

Onde Nada Existe


 

Onde Nada Existe por W. B. Yeats

 

Um conjunto extraordinário de contos agrupando os da Rosa Secreta e os das História de Hanrahan, o Ruivo.

 

A Irlanda no tempo em que os reis, as fadas e os seres sobrenaturais resistiam ainda na mente das populações às invasões normandas e o cristianismo se misturava com a religião tradicional celta. As paisagens desoladas, o vento cortante, as escarpas abruptas, as enseadas escondidas, as florestas húmidas, o nevoeiro sempre presente trazendo as almas de outrora. Os druidas, os bardos, os gaiteiros, percorrem os montes e vales vagueando de terra em terra. Os medos, a morte, a estranha forma de vida de um povo de identidade própria.

 

A toponímia – Vila do Lago Cinzento, Cume dos Dois Demónios do Ar, Lago das Espadas, Lugar Fundo dos Estrangeiros, etc. –, os deuses evocados – os deuses de Dana como Orchill, como Dagda ou como Angus - os demónios convocados como a terrível Lavadeira dos Baixios, a presença das fadas, tudo concorre para um atmosfera onírica, pagã, desfocada, mística, nebulosa em que o real e o imaginário se fundem e convivem.

 

W. B. Yeats (1865-1939), escritor irlandês (poeta, dramaturgo, contista e ensaísta) foi figura cimeira do Renascimento Literário Irlandês e destacado nacionalista. Ganhou o Prémio Nobel da Literatura de 1923.