sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Kallocaína


 

Kallocaína de Karin Boye

 

Quem diria que o célebre livro “1984” de Geoge Orwell, obra apresentada como uma distopia anticomunista, é apenas um plágio deste livro de Karin Boye, publicado uma década antes e, no seguimento da estada da autora, de fortes convicções de esquerda, na Alemanha nazi. Como a propaganda antissoviética do pós-guerra conseguiu transformar uma denúncia do nazismo numa absurda diatribe contra a URSS. Hoje, a ideologia e censura dominante, impede qualquer crítica ao nazismo sem, do mesmo passo, repetir a mentira que é igual ao comunismo.

 

No livro a trama, que nos envolve e prende da primeira à última página, decorre em torno de um químico, habitante de um Estado militarizado, que descobre o soro da verdade, a kallocaína. O culto da guerra, todos são soldados, da obediência cega, do ódio ao inimigo, a omnipresença do Estado militar que se pretende Mundial, a animalização dos nacionais de outros países, o isolamento e o medo dos indivíduos, tudo são traços do nazi-fascismo que também tivemos por cá.

 

Um livro excecional de leitura compulsiva. Uma obra-prima.

 

Karin Boye (1900-1941), sueca, escritora e poetisa, pertenceu a organizações de esquerda. Suicidou-se em 1941.

domingo, 10 de agosto de 2025

A Guerra dos Metais Raros


 

A Guerra dos Metais Raros por Guillaume Pitron

 

Duas componentes da revolução tecnológica em curso, a massificação das energias ditas verdes e a digitalização, consomem enormes quantidades de terras raras. Mas, como disse alguém, “as terras raras não são terras nem são raras”. De facto as denominadas terras raras são metais e encontram-se espalhados por todo o mundo. A questão é a sua mineração e refinação. Em muitos casos é necessário processar toneladas de pedra para obter alguns gramas destes metais.

 

A mineração é ambientalmente agressiva, exigindo a remoção de enormes quantidades de pedra e a refinação é prejudicial utilizando grandes volumes de água misturada com químicos perigosos. Esta água poluída destrói o meio ambiente e contamina os veios freáticos. Em torno das minas /estações de refinação as terras tornam-se desertos em que nada cresce e as povoações transformam-se em “aldeias do cancro”.

 

E, depois, existe ainda todo um entorno geopolítico pelo controlo destes metais, cada vez mais preciosos, o petróleo das energias renováveis e da digitalização. Quem vencerá esta guerra?

 

Guillaume Pitron, jornalista francês especializado em investigação económica deixa-nos aqui uma obra toldada pelo viés ideológico e pela superficialidade.

quarta-feira, 23 de julho de 2025

Um Homem sorri à Morte – com meia cara


 

Um Homem sorri à Morte – com meia cara de José Rodrigues Miguéis

 

Uma obra sobre a doença, o internamento numa grande e inóspita enfermaria hospitalar, sobre a morte como possibilidade real e temporalmente próxima. Uma descrição de sintomas, de tratamentos, da forma como somos tratados por médicos, enfermeiros e olhados pelos outros doentes. Uma análise da evolução das disposições e do estado de espírito do acamado, uma reflexão sobre os efeitos da doença na consciência e nos sentimentos do paciente.

 

Mas também a esperança de restabelecimento, os receios de sequelas incapacitantes, as dificuldades da convalescença pós-hospitalar.

 

Um trabalho profundo e sincero de partilha da experiência mais solitária do ser humano, a de enfrentar e combater a morte.

 

José Rodrigues Miguéis (1901 – 1980) foi um escritor, ensaísta, tradutor e intelectual americano nascido em Portugal. Destacou-se como uma das figuras mais relevantes da literatura do século XX em língua portuguesa. Teve um forte compromisso com ideais democráticos e antifascistas. Perseguido pelo fascismo exilou-se em Nova Iorque em 1935 onde exerceu a profissão de tradutor e foi o representante do PCP junto do Partido Comunista dos Estados Unidos. Tornou-se cidadão americano em 1942.