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quarta-feira, 15 de março de 2023

O Mundo Visto do Meio

 

O Mundo Visto do Meio de Conceição Lima

 

Este é um livro duplo, primeiro as cronicas/conto e depois uma breve peça “Um Auto do Século XX”. Em comum têm São Tomé e Príncipe, a sua história, a sua natureza, as suas gentes com os seus idiomas, a sua cultura e as suas idiossincrasias.

 

A peça é um diálogo entre o Governador colonialista, o brutal e tristemente célebre Carlos Gorgulho, o militar que querendo forçar os forros santomenses à servidão nas roças os reprimiu com violência criminosa matando, ferindo e deportando, e Saturnino da Graça, um filho da terra, engenheiro e defensor do povo. Um diálogo entre o colonialismo e aqueles que lhe fizeram frente de cabeça erguida.

 

As crónicas/contos espraiam-se por um conjunto largo de temas, incluindo pequenos episódios, breves biografias, reflexões sobre natureza das ilhas com a sua flora e fauna, comentário político, cultura santomense da culinária à música. Todas são, simultaneamente, datadas no sentido em que intervém sobre um momento específico do percurso de São Tomé e Príncipe, e perenes na medida em que se trata de momentos importantes da História do país.

 

A escrita de Conceição Lima é bela, de grande sensibilidade, de atenção ao detalhe prendendo-nos ao texto, fixando a nossa atenção e admiração. O estilo de crónica-conto é uma marca distintiva deste livro.

sexta-feira, 10 de março de 2023

A Dolorosa Raiz do Micondó

A Dolorosa Raiz do Micondó de Conceição Lima

 

Nos primeiros poemas a memória, o combate, a longa e dolorosa via para a libertação convoca a identidade coletiva, as múltiplas faces de um mesmo sofrimento às mãos de um colonialismo brutal e imoral. Ecoam na primeira pessoa do plural. Aqui se destacam o comovente “Canto Obscuro às Raízes” e o admirável “1953”. São as dolorosas raízes coletivas.

 

Depois o tom muda e torna-se intimista, regressando à infância, aos tempos “Quando eu não sabia que era eu”, viajando pelos cheiros, pela flora, pela fauna, pelos lugares que vamos descobrindo quando crescemos e que nos prendem para sempre à nossa terra, e as pessoas que povoaram o tempo de meninice, as tias, as primas, os familiares e conhecidos, as pessoas que nos fazem sentir seguros e amados, as pessoas a quem pertencemos. Aqui o poema escreve-se na primeira pessoa. São as agridoces raízes pessoais, individuais.

 

Estas duas raízes forjam a nossa identidade, criam-nos enquanto pessoas.

 

Na forma versos que de Camões a frásica estrutura amiúde guardam. Versos que fluem com força, com sinceridade, com alma e singela beleza e nos comovem primeiro e nos enternecem depois.

 

Conceição Lima (n. 1961) é uma poetisa e cronista são-tomense. Jornalista e produtora trabalhou nos Serviços em Língua Portuguesa da BBC.