quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Como comem os portugueses

O que comem os Portugueses por Pedro Graça

 

Historicamente a padrão de alimentação da maioria dos portugueses era essencialmente vegetariana, o que levou ao desenvolvimento de uma culinária em torno do caldo / sopa de produtos hortícolas. A carne estava arredada das mesas das famílias bem como o peixe. Era uma alimentação deficiente e muito diferente do padrão europeu. Mesmo o queijo era de ovelha quando na Europa é primordialmente de leite de vaca. Não se tratava de especificidade nacional mas apenas o resultado de uma estratificação social (pobreza generalizada), da concentração geográfica (população rural) e do desenho económico escolhido (predomínio da agricultura).

 

A partir dos anos 1970 a alimentação tem vindo a aproximar-se do padrão europeu, mas ainda hoje os níveis alimentares se encontram abaixo do que encontramos na Europa. Quase 20% dos portugueses vive atualmente em insegurança alimentar, eufemismo para a fome, sem saber o que comer nos próximos dias.

 

Um bom livro para perceber o atraso e a pobreza no nosso país.

 

Pedro Graça, professor de nutrição da Universidade do Porto. Tem participado no desenho e implementação de políticas públicas de saúde pública.


 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Tudo sobre Deus

Tudo sobre Deus de José Eduardo Agualusa

 

Um homem, geografo de profissão e poeta por vocação, recebe um diagnóstico fatal, resta-lhe pouco tempo. Decide viver os seus últimos dias numa Igreja abandonada sobranceira ao mar perto da cidade do Namibe em Angola. Aí vai reencontrar a filha desaparecida anos antes, desvendar o segredo do pequeno templo e escrever as últimas entradas do seu filosófico diário.

 

Uma reflexão sobre a morte, o balanço de vida a que nos força, os erros cometidos e as reparações possíveis, o fardo pesado das falhas irremediáveis, o alívio das faltas redimidas ou perdoadas, a recordação das relações sinceras.

 

A escolha de uma Igreja localizada no meio da desolação mostra-nos o lado solitário e íntimo de quem enfrenta o seu próprio término. Tal como os elefantes o ser humano prefere afastar-se dos semelhantes e fazer sozinho e sem sofrimento a sua última caminhada.

 

O livro faz, contudo, uma apresentação incompreensível, inapropriada e imoral das relações amorosas entre adultos e crianças, na forma como descreve o namoro entre a filha do poeta com 14 anos e o filho do general com 24 anos.

 

José Eduardo Agualusa (n. 1960), escritor angolano com vasta e premiada obra.


 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Bancários


 

Bancários – Retratos com data-valor por Luís Bento

 

A economia capitalista funciona por ciclos de expansão e de retração, de euforia e de depressão, de crescimento e de crise. A evolução vertiginosa das tecnologias encurta estes ciclos, tornando-os quase sobrepostos. O novo e avançado hoje transforma-se em obsoleto e ultrapassado amanhã, deixando o investimento em risco.

 

No centro da economia capitalista encontramos o sistema financeiro e a Banca, também eles sujeitos e estas oscilações e mudanças. E se a essência das transações comerciais, pagamentos, crédito, depósitos, investimentos, se mantiveram ao longo de séculos, a forma como estes são realizados sofreu modificações de monta. Estas alterações tiveram um forte impacto nas pessoas que realizam essas transações: os clientes e os trabalhadores bancários.

 

Este livro analisa a desilusão de uma geração de bancários que realizou em Portugal com entusiasmo, esforço, espírito de sacrifício a fase épica da expansão da Banca, que modernizou e introduziu uma vasta gama de tecnologias, nomeadamente a da internet, a da informática, mas que sucumbiu na fase de crise, descartada sem consideração.

 

Luís Bento (n. 1964) foi ele próprio um bancário e sabe, por experiência própria, a realidade que conta.