quinta-feira, 30 de julho de 2026

Tudo sobre Deus

Tudo sobre Deus de José Eduardo Agualusa

 

Um homem, geografo de profissão e poeta por vocação, recebe um diagnóstico fatal, resta-lhe pouco tempo. Decide viver os seus últimos dias numa Igreja abandonada sobranceira ao mar perto da cidade do Namibe em Angola. Aí vai reencontrar a filha desaparecida anos antes, desvendar o segredo do pequeno templo e escrever as últimas entradas do seu filosófico diário.

 

Uma reflexão sobre a morte, o balanço de vida a que nos força, os erros cometidos e as reparações possíveis, o fardo pesado das falhas irremediáveis, o alívio das faltas redimidas ou perdoadas, a recordação das relações sinceras.

 

A escolha de uma Igreja localizada no meio da desolação mostra-nos o lado solitário e íntimo de quem enfrenta o seu próprio término. Tal como os elefantes o ser humano prefere afastar-se dos semelhantes e fazer sozinho e sem sofrimento a sua última caminhada.

 

O livro faz, contudo, uma apresentação incompreensível, inapropriada e imoral das relações amorosas entre adultos e crianças, na forma como descreve o namoro entre a filha do poeta com 14 anos e o filho do general com 24 anos.

 

José Eduardo Agualusa (n. 1960), escritor angolano com vasta e premiada obra.


 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Bancários


 

Bancários – Retratos com data-valor por Luís Bento

 

A economia capitalista funciona por ciclos de expansão e de retração, de euforia e de depressão, de crescimento e de crise. A evolução vertiginosa das tecnologias encurta estes ciclos, tornando-os quase sobrepostos. O novo e avançado hoje transforma-se em obsoleto e ultrapassado amanhã, deixando o investimento em risco.

 

No centro da economia capitalista encontramos o sistema financeiro e a Banca, também eles sujeitos e estas oscilações e mudanças. E se a essência das transações comerciais, pagamentos, crédito, depósitos, investimentos, se mantiveram ao longo de séculos, a forma como estes são realizados sofreu modificações de monta. Estas alterações tiveram um forte impacto nas pessoas que realizam essas transações: os clientes e os trabalhadores bancários.

 

Este livro analisa a desilusão de uma geração de bancários que realizou em Portugal com entusiasmo, esforço, espírito de sacrifício a fase épica da expansão da Banca, que modernizou e introduziu uma vasta gama de tecnologias, nomeadamente a da internet, a da informática, mas que sucumbiu na fase de crise, descartada sem consideração.

 

Luís Bento (n. 1964) foi ele próprio um bancário e sabe, por experiência própria, a realidade que conta.  

Crioulo e Português em Cabo Verde – Um Repto entre Diluição e Afirmação


 

Crioulo e Português em Cabo Verde – Um Repto entre Diluição e Afirmação por Hans-Peter Heilmair

 

A língua é um poderoso instrumento de desenvolvimento. Uma sociedade que não disponha de língua torna-se não funcional e não se consegue desenvolver. Em Cabo Verde o crioulo tem servido de língua materna à maioria dos habitantes e poderia ser a língua do desenvolvimento mas, estranhamente, a grande maioria é analfabeta na sua língua e o ensino de forma disfuncional é ministrado numa língua que as crianças não dominam –o português. O insucesso prático segue-se. Na generalidade dos casos quando um jovem cabo-verdiano vem para Portugal as dificuldades escolares são enormes, tem de seguir aulas de Português Língua Não Materna e, por regra atrasa-se nos estudos.

 

A política de ensino de Cabo Verde está a prejudicar o próprio país e a limitar as suas capacidades de desenvolvimento ao insistir na ficção de manter um sistema de ensino numa língua diferente daquela que é a língua materna nos cidadãos de Cabo Verde.

 

Mas é pior. O crioulo, porque não ensinado, porque não aprendido na sua gramática, léxico e plenitude formal, está a perder rapidamente as suas características e a misturar-se com o português descaracterizando-se. Assim Cabo Verde pode perder a sua língua e ficar com uma mistura de duas línguas, situação em que a população nem fala português nem língua cabo-verdiana. Na época da ciência e do conhecimento não ter uma língua escrita própria é uma desgraça, uma condenação à ignorância e ao atraso.

 

Este livro é um grito de alerta. Uma excelente análise da situação da língua cabo-verdiana em Cabo Verde e dos caminhos que tem percorrido e dos remédios que a podem salvar.

 

Hans-Peter Heilmair (n. 1957), linguista alemão, tem uma obra firmada no domínio da língua e da cultura de Cabo Verde.