quinta-feira, 25 de junho de 2026

Conversas sobre Deus - Um Diálogo com Simone Weil

 

Conversas sobre Deus - Um Diálogo com Simone Weil por Byung-Chul Han

 

Simone Weil (1909-1943), mística católica, nada a ver com a política francesa do mesmo nome, deixou-nos uma obra breve mas de uma profundidade e atualidade surpreendentes. Byung-Chul Han partindo das ideias de Weil reflete sobre a sociedade contemporânea, a sociedade do digital, da inteligência artificial, do instantâneo e do absorvente.

 

Alguns temas focados são o da atenção ao outro e ao mundo que se está a perder na voragem dos estímulos viciantes e contínuos, da produção material e da busca da eficácia. Essa atenção que gera a compreensão, a novidade, o encontro humano com a Natureza e a Beleza e a Arte. A atenção exige tempo vazio e silêncio e estes, hoje, está completamente preenchido por um barulho contínuo.

 

Aqui ficam algumas frases para pensar “O smartphone é a máquina digital do vício”, “não se pode estar atento ao que muda”, “o verdadeiro é o duradoiro”,  “Hoje em dia, estamos constantemente distraídos. Saltamos, ou melhor, cambaleamos de uma informação para outra, de um estímulo para outro”, “A sociedade torna-se brutal quando perde a atenção ao outro”, “O silêncio é a parteira do novo”.

 

Byung-Chul Han (n. 1959), coreano, é um dos mais proeminentes filósofos dos nossos dias.


quinta-feira, 18 de junho de 2026

Cinema e história: aventuras narrativas


 

Cinema e História – aventuras narrativas por João Lopes

 

O crítico João Lopes aborda o tema da relação do cinema com a História, através de um conjunto alargado de filmes que vão das películas realizadas pelos pioneiros irmãos Lumière até aos nossos dias. Um relacionamento difícil e, muitas vezes, ilusório porque a História não se deixa fixar nas imagens e pode sempre ser vista através de diferentes ângulos e abordagens. E se é verdade que uma imagem vale por mil palavras também o é o facto de uma imagem suscitar mil interpretações.

 

O texto, organizado em seis capítulos afasta-se da estrutura clássica do ensaio, e flui em muitas direções, deixando-se levar pelas impressões e reflexões sobre filmes de referência que abordaram temas históricos. Um capítulo dedicado a Manuel de Oliveira o longevo e controverso realizador português que argumentava que o “cinema não existe” porque apenas “fixa o teatro”, e outro, mais pequeno, à televisão trazem outras artes visuais para o debate da relação das imagens produzidas com a História.

 

João Lopes (n. 1954), crítico de cinema, realizador, Professor da Escola Superior de Teatro e Cinema, tem um longo percurso ligado ao estudo e divulgação do cinema.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Revolução Russa

A Revolução Russa por Rosa Luxemburgo

 

Uma análise crítica dos primeiros doze meses da Revolução Russa liderada por Lenine em 1917. Escrito na prisão, poucos meses antes de ser assassinada, o texto de Rosa Luxemburgo elogia a determinação e a tomada do poder pelos operários e camponeses russos, mas assinala aquilo que na sua opinião foram erros estratégicos.

 

Os três aspetos criticados prendem-se com a) a política de defesa da autodeterminação dos povos defendida por Lenine; b) a reforma agrária com a divisão das terras dos grandes latifundiários pelos camponeses; c) a dissolução da Assembleia Constituinte e a introdução da ditadura do proletariado. Estes aspetos centrais da política do Partido Social Democrata Russo encontram oposição com base em diferentes argumentos –a distribuição de terras a quem as trabalha surge aos olhos de Luxemburgo como promovendo a propriedade privada da terra e deste ponto de vista como antissocialista; a política de autodeterminação é criticada por levar a perda de territórios e por poder ser aproveitada pela burguesia nacional desses territórios (como de facto aconteceu – Lenine disse que se essa fosse a vontade desses povos ele lhes daria a independência – e assim fez com a Finlândia); finalmente a ditadura do proletariado afasta-se da democracia que lhe parece um sistema melhor apesar de concordar tratar-se de uma forma de ditadura da burguesia.

 

Rosa Luxemburgo (1871-1919), revolucionária alemã. Fundou a Liga Espartaquista, que se transformou em 1919 no Partido Comunista Alemão, e o jornal A Bandeira Vermelha. No rescaldo da revolta Espartaquista em Berlim em 1919 foi presa por milícias reacionárias e fuzilada.