vozes anoitecidas por Mia Couto
Um cacho de contos amadurecidos, tristes, que iluminam vidas, modos de viver, maneiras diferentes, inteligentes, certeiras de ver o mundo e de o interpretar a partir de um olhar africano desenganado mas sumamente original.
A Fogueira avisa-nos da inutilidade dos preparativos para depois da morte e da possibilidade de adormecer “longe dessa fogueira que nunca ninguém acendera”. O último Corvo Falador transmite-nos o frio que os espíritos sentem no outro mundo e o poder das maldições. O Dia em que explodiu Mabata-bata sobre um boi e seu pastor e o seu sonho de escolarização, revela-nos um país perigoso. Os pássaros de Deus destapa o poder da crença. De como se vazou a vida de Ascolino do Perpétuo Socorro, expõe o goês patriota rejeitado pelo colonialismo. Afinal, Carlota Gentina não chegou a voar, um engano com consequências dramáticas - “Eu somos tristes. Não me engano, digo bem. Ou talvez: nós sou triste. Porque dentro de mim, não sou sozinho. Sou muitos”. Como somos todos. E tantos outros textos.
Mia Couto (n. 1955), jornalista, biólogo, escritor moçambicano. Um dos mais destacados e mais inovadores autores em língua portuguesa. Um Prémio Nobel em potência. Se escrevesse em inglês já o teria.

