quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Autobiografia do Vermelho


 

Autobiografia do Vermelho de Anne Carson

 

Partindo de um episódio cantado pelo poeta grego Estesícoro, o mestre dos adjetivos, em que este descreve em “metro dáctilo-epítrito” um dos sete trabalhos de Héracles, que os romanos rebatizaram de Hercules, Carson transporta o episódio para a atualidade, para a relação de dois jovens norte-americanos.

 

Na mitologia, o herói grego confronta-se com Gerião, um mostro vermelho e mata-o, eliminando de seguida o pequeno cão de companhia do seu adversário, um ato desnecessário de crueldade gratuita.

 

O Gerião moderno é rapaz tímido e sensível apaixonado que gosta da fotografia e de se interrogar sobre temas filosóficos como a natureza do tempo. Héracles em contrapartida é um aventureiro sedento de conhecer o mundo.

 

O reencontro entre os dois em Buenos Aires reabre uma relação que parecia terminada há muitos anos e inicia um perigoso triângulo amoroso. É neste cenário que encontramos o paralelo com o antigo poema de Estesícoro.

 

Um livro em prosa poética, que contêm mesmo uma entrevista com o poeta grego que Helena de Troia mandou cegar.

 

Anne Carson (n. 1950), islando-canadiana, venceu o Prémio Nobel de 2026.

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Eros – Amargo e Doce


 

Eros – Amargo e Doce por Anne Carson

 

As intrincadas e finas relações entre o desejo, o tempo (a dicotomia do “agora” e do “então”), a escrita, a leitura, o alfabeto, as formas geométricas, de que sobressai o triângulo, pensadas com subtileza com base nos textos da filologia clássica, nomeadamente de Safo, Aristóteles, Arquíloco e outros, partindo da noção de glukupikron, palavra grega que significa agridoce ou amargo e doce.

 

Um ensaio muito erudito mas escrito de forma simples, inteligente e próxima que qualquer leitor pode entender.

 

A autora ensina-nos a olhar o detalhe, a encontrar na forma, no ritmo das palavras, na escolha dos vocábulos, o conteúdo aí subtilmente escondido e invisível ao leitor desatento. Ajuda-nos a perceber no bordado ou na pintura, a importância do ponto, do traço, da cor quer na sua contribuição para a obra completa quer no seu significado próprio. 

 

Anne Carson (. 1950) poeta, ensaísta e professora universitária de estudos clássicos canadiana e islandesa. Desde 1984, quando venceu o prémio Quarterly Review of Literature, pela obra Canicula di Anna, tem recebido inúmeros galardões pelos seus trabalhos literários. Prémio Nobel da Literatura em 2026. Um Nobel bem entregue.