quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Eros – Amargo e Doce


 

Eros – Amargo e Doce por Anne Carson

 

As intrincadas e finas relações entre o desejo, o tempo (a dicotomia do “agora” e do “então”), a escrita, a leitura, o alfabeto, as formas geométricas, de que sobressai o triângulo, pensadas com subtileza com base nos textos da filologia clássica, nomeadamente de Safo, Aristóteles, Arquíloco e outros, partindo da noção de glukupikron, palavra grega que significa agridoce ou amargo e doce.

 

Um ensaio muito erudito mas escrito de forma simples, inteligente e próxima que qualquer leitor pode entender.

 

A autora ensina-nos a olhar o detalhe, a encontrar na forma, no ritmo das palavras, na escolha dos vocábulos, o conteúdo aí subtilmente escondido e invisível ao leitor desatento. Ajuda-nos a perceber no bordado ou na pintura, a importância do ponto, do traço, da cor quer na sua contribuição para a obra completa quer no seu significado próprio. 

 

Anne Carson (. 1950) poeta, ensaísta e professora universitária de estudos clássicos canadiana e islandesa. Desde 1984, quando venceu o prémio Quarterly Review of Literature, pela obra Canicula di Anna, tem recebido inúmeros galardões pelos seus trabalhos literários. Prémio Nobel da Literatura em 2026. Um Nobel bem entregue.

 


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

António e Cleópatra


 

António e Cleópatra de William Shakespeare

 

O drama da sucessão política de Roma, com três figuras maiores, a lutarem pela supremacia e pelo Império. Octávio, Pompeu e António defrontam-se em batalhas épicas e violentas. Octávio oferece a mão da sua irmã a António selando uma aliança contra Pompeu. Derrotado e morto este, sobrevém a disputa final entre os cunhados. Uma guerra fratricida travada no mar e em África.

 

António e Cleópatra, soberana do Egito, vivem uma relação intensamente apaixonada que nem o casamento político e de circunstância de António com a irmã de Octávio abalou. Mas o destino não parece favorável aos dois amantes e alguns dos seus mais importantes aliados e generais, pressentindo o fim passam-se para o campo inimigo. Os adivinhos calam-se perante um futuro agora turvo e pouco esperançoso.

 

Esta peça de William Shakespeare retém toda a factualidade histórica mas acrescenta-lhe o amor, o desejo, a força e a paixão humanas que só podem apaziguar-se na morte. A espada e a serpente cumprem eficazmente o seu funesto papel.

 

William Shakespeare (1564-1616), poeta e dramaturgo nascido na Inglaterra é considerado o maior escritor de língua inglesa de todos os tempos.