quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que nunca mais Recuperamos


O que nunca mais Recuperamos de Luís A. Fernandes

 

Poesia depressiva, de recordações de defuntos, de visitas às campas nos cemitérios, de velhice, decadência física, e morte, de tristeza, de amores passados e solidão. Um estilo complexo em que a falta de pontuação dificulta a leitura e obriga a refletir no significado exato das palavras.

 

Uma atmosfera depressiva, fria, decrepita, infeliz, sem esperança nem redenção, mas lúcida, atenta e humana.

 

Alguns versos pintam quadros realistas “cheira a velho- velho / dos livros na estante / e a mijo do gato” outros tocam a alma humana atormentada “não passamos de pinturas / à espera de restauro”. O pessimismo sempre presente “estamos velhos, criança / hoje é a terra que nos come a todos” porque ao tempo “é preciso tentar escapar-lhe / sempre com a mesma força / com que todos os dias / ele nos vai desfazendo”. O próprio autor define a sua obra “era um poema triste / como são todos os que /saem diretos coração papel”.

 

Temáticas difíceis num tempo ligeiro, numa sociedade envelhecida e que paradoxalmente, ou talvez não, glorifica a juventude, o otimismo e não gosta de falar do inevitável fim da vida.

 

Vencedor do Prémio Revelação de 2023 da Câmara de Oeiras.

  

Luís A. Fernandes (n. 1989), jurista oriundo da Guarda vive em Lisboa.

 

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A Mamã e Eu e a Mamã


 

A Mamã e Eu e a Mamã por Maya Angelou

 

Uma extraordinária autobiografia, centrada na inquebrantável relação entre a autora e a sua Mãe, Vivian Baxter, uma mulher inteligente, enérgica e de grande coração. Através de pequenos quadros, Maya Angelou conta-nos episódios da sua vida sempre com a sua progenitora como protagonista. O texto é complementado com fotografias das duas ao longo dos anos.

 

Um livro poderoso, comovente, que retrata o espírito indómito das duas mulheres enfrentando valentemente a Vida e todos os obstáculos que esta lhes colocou – o racismo, o machismo, a violência doméstica, as dificuldades de aceder ao emprego e tantas outras.

 

O amor, o apoio, a entreajuda estão plasmados de forma tão simples que atinge diretamente e de forma fulminante os nossos corações. Um Prémio Nobel que ficou por atribuir.

 

Maya Angelou (1928-2014), escritora afro-americana. Ao longo da vida assumiu diversos papéis desde condutora de autocarros, a primeira Negra a fazê-lo nos Estados Unidos, a atriz, dançarina, jornalista, compositora, professora universitária. Viveu em várias cidades americanas, na Europa e no Egito. Ativista pelos direitos cívicos, teve um papel na organização de manifestações e na criação de algumas associações. Uma força da natureza.

 

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Histórias de Livros Perdidos


 

Histórias de Livros Perdidos por Giorgio van Straten

 

A saga dos manuscritos de grandes génios da Literatura ocidental que por acidente ou vontade própria ou alheia nunca foram impressos e se perderam para sempre.

 

A mala roubada contendo os primeiros contos de Ernest Hemingway, as labaredas devoradoras de obras inéditas de Byron e de Gogol, o suicídio de Walter Benjamin ou de Sylvia Plath, o assassinato de Bruno Schulz, a cabana de queimada Malcom Lowry, a vontade da viúva de Romano Bilenchi, selaram o destino de trabalhos que enriqueceriam o acervo literário da humanidade.

 

Escrita em tom didático mas suave, esta obra Straten, em que demonstra, mas não exibe, uma erudição enciclopédica, faz uma viagem biográfica pelas circunstâncias e pelos temas que atormentavam estes escritores e que, direta ou indiretamente, levaram à tragédia.

 

Um livro que se lê com agrado, surpresa e velocidade, com o qual se aprende muito e que suscita a reflexão sobre o processo criativo.

 

Giorgio van Straten (n. 1955), italiano, de origem judia-holandesa, construiu uma carreira como gestor cultural, tradutor e escritor. Venceu numerosos prémios de Literatura. Histórias de Livros perdidos tem tradução em múltiplas línguas ocidentais.