quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Terra Desolada

Terra Desolada de Robert D. Kaplan

 

Um excelente exemplo de como a cegueira ideológica de um jornalista erudito o leva a escrever mentiras e a incorrer em erros históricos, geográficos e políticos de palmatória, transformando o que poderia ser uma reflexão geopolítica da sociedade atual numa obra panfletária, propagandística e, em última análise, sem valor.

 

Se o livro Waste Land de poemas de T.S. Eliot publicado em 1922 constitui um marco da Literatura moderna, esta obra de Kaplan situa-se completamente nos antípodas daquela a que vai buscar o título.

 

A ideia de contração da geografia por virtude do desenvolvimento dos meios de transporte e de comunicação não é nova, pelo contrário tem séculos. As consequências dessa aproximação são patentes em inúmeros trabalhos dos mais variados quadrantes e disciplinas. Esta nada acrescenta.

 

Eis pois um livro que não vale a pena ler e cuja compra significa apenas atirar dinheiro pela porta fora.

 

Robert D. Kaplan (n. 1952), jornalista e analista político judeu norte-americano. Publicou várias obras menores que tiveram muita divulgação entre os círculos conservadores. Profeta da desgraça vem defendendo que o mundo está a mergulhar na anarquia para defender as intervenções sangrentas israelitas e americanas.


 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que nunca mais Recuperamos


O que nunca mais Recuperamos de Luís A. Fernandes

 

Poesia depressiva, de recordações de defuntos, de visitas às campas nos cemitérios, de velhice, decadência física, e morte, de tristeza, de amores passados e solidão. Um estilo complexo em que a falta de pontuação dificulta a leitura e obriga a refletir no significado exato das palavras.

 

Uma atmosfera depressiva, fria, decrepita, infeliz, sem esperança nem redenção, mas lúcida, atenta e humana.

 

Alguns versos pintam quadros realistas “cheira a velho- velho / dos livros na estante / e a mijo do gato” outros tocam a alma humana atormentada “não passamos de pinturas / à espera de restauro”. O pessimismo sempre presente “estamos velhos, criança / hoje é a terra que nos come a todos” porque ao tempo “é preciso tentar escapar-lhe / sempre com a mesma força / com que todos os dias / ele nos vai desfazendo”. O próprio autor define a sua obra “era um poema triste / como são todos os que /saem diretos coração papel”.

 

Temáticas difíceis num tempo ligeiro, numa sociedade envelhecida e que paradoxalmente, ou talvez não, glorifica a juventude, o otimismo e não gosta de falar do inevitável fim da vida.

 

Vencedor do Prémio Revelação de 2023 da Câmara de Oeiras.

  

Luís A. Fernandes (n. 1989), jurista oriundo da Guarda vive em Lisboa.

 

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A Mamã e Eu e a Mamã


 

A Mamã e Eu e a Mamã por Maya Angelou

 

Uma extraordinária autobiografia, centrada na inquebrantável relação entre a autora e a sua Mãe, Vivian Baxter, uma mulher inteligente, enérgica e de grande coração. Através de pequenos quadros, Maya Angelou conta-nos episódios da sua vida sempre com a sua progenitora como protagonista. O texto é complementado com fotografias das duas ao longo dos anos.

 

Um livro poderoso, comovente, que retrata o espírito indómito das duas mulheres enfrentando valentemente a Vida e todos os obstáculos que esta lhes colocou – o racismo, o machismo, a violência doméstica, as dificuldades de aceder ao emprego e tantas outras.

 

O amor, o apoio, a entreajuda estão plasmados de forma tão simples que atinge diretamente e de forma fulminante os nossos corações. Um Prémio Nobel que ficou por atribuir.

 

Maya Angelou (1928-2014), escritora afro-americana. Ao longo da vida assumiu diversos papéis desde condutora de autocarros, a primeira Negra a fazê-lo nos Estados Unidos, a atriz, dançarina, jornalista, compositora, professora universitária. Viveu em várias cidades americanas, na Europa e no Egito. Ativista pelos direitos cívicos, teve um papel na organização de manifestações e na criação de algumas associações. Uma força da natureza.