quinta-feira, 17 de setembro de 2026

O Estado e a Revolução


 

O Estado e a Revolução por V.I. Lénine

 

Um clássico do marxismo, uma obra teórica que analisa o papel e a natureza do Estado no capitalismo e que explica como o Estado subsiste no Socialismo mas com um novo papel e depois à medida que o socialismo evolui para o comunismo se vai extinguindo.

 

Partindo dos trabalhos de Marx e de Engels, nomeadamente sobre as lições da Comuna de Paris, Lenine reafirma a posição de que o Estado é uma máquina de opressão da classe capitalista sobre a classe operária e que esta para se libertar tem de destruir essa máquina. Esta ideia central de O Estado e a Revolução parece esquecida entre muitos dos que se reclamam do leninismo e defendem o Estado burguês em que vivemos.

 

Aos que como Karl Kautsky que defendeu a tomada pacífica do Estado através de eleições e colocação do Estado ao serviço dos trabalhadores, Lénine declara-o oportunista e contrário ao marxismo.

 

Lénine (1870-1924), revolucionário russo, dirigente do Partido Operário Social-Democrata Russo e da Revolução de Outubro que culminou com a tomada do poder pelos Sovietes de Operários e Camponeses. Depois da Revolução fundou e dirigiu a III Internacional e teve papel determinante na condução construção do novo Estado socialista soviético e na resistência à contrarrevolução.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

vozes anoitecidas

vozes anoitecidas por Mia Couto

 

Um cacho de contos amadurecidos, tristes, que iluminam vidas, modos de viver, maneiras diferentes, inteligentes, certeiras de ver o mundo e de o interpretar a partir de um olhar africano desenganado mas sumamente original.

 

A Fogueira avisa-nos da inutilidade dos preparativos para depois da morte e da possibilidade de adormecer “longe dessa fogueira que nunca ninguém acendera”. O último Corvo Falador transmite-nos o frio que os espíritos sentem no outro mundo e o poder das maldições. O Dia em que explodiu Mabata-bata sobre um boi e seu pastor e o seu sonho de escolarização, revela-nos um país perigoso. Os pássaros de Deus destapa o poder da crença. De como se vazou a vida de Ascolino do Perpétuo Socorro, expõe o goês patriota rejeitado pelo colonialismo. Afinal, Carlota Gentina não chegou a voar, um engano com consequências dramáticas - “Eu somos tristes. Não me engano, digo bem. Ou talvez: nós sou triste. Porque dentro de mim, não sou sozinho. Sou muitos”. Como somos todos. E tantos outros textos.

 

Mia Couto (n. 1955), jornalista, biólogo, escritor moçambicano. Um dos mais destacados e mais inovadores autores em língua portuguesa. Um Prémio Nobel em potência. Se escrevesse em inglês já o teria.