Mostrar mensagens com a etiqueta FFMS. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta FFMS. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O Valor da Arte



O Valor da Arte de José Carlos Pereira

O que vale uma peça de arte? Que impacto tem o mercado na formação do preço? E quem são os intervenientes neste mercado tão especial? Que peso tem o fator estético na valoração de uma obra de arte? Qual a função das políticas públicas de apoio às artes?

Na era do neoliberalismo a Arte está em risco de se tornar uma atividade económica como outra qualquer. “A articulação da arte e da criação artística com as empresa e com as diversas marcas de produtos, e até de instituições, tende a submeter progressivamente o sistema das artes a uma lógica empresarial”. O fim da arte como forma de expressão humana e a sua transformação numa indústria sem alma.

Em Portugal o apoio à criação artística é diminuto e errático “assiste-se com frequência, a uma produção de instrumentos legais que, ou não são regulamentados, ou rapidamente são substituídos por outros, sem efetiva possibilidade de avaliação dos seus efeitos”. Acresce que a qualidade é substituída pela “satisfação de clientelas políticas, interesses meramente partidários, económicos, ou de conjuntura”. Os artistas acabam por “emigrar, ou aceitar empregos precários”. Nestas circunstâncias os resultados são, como se poderia esperar, muito fracos, criando “uma enorme discrepância entre o índice de práticas culturais em Portugal e nos restantes países da União Europeia” e afastando Portugal do centro da produção artística mundial.

Um livro que se perde um pouco na profusão de temas que aborda com desigual profundidade, a teoria das artes, as correntes estéticas, os vários intervenientes no mercado, as políticas estatais de promoção artística e de formação de públicos.

Não deixa contudo de ser uma boa introdução polifacetada ao mundo da valoração da Arte.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Portugal e o Atlântico



Portugal e o Atlântico por Bernardo Pires de Lima


Um ensaio confuso, desorganizado, irrealista, propagandista e no fundo gerado por uma identidade baralhada e mal resolvida.

Se é verdade que um país não pode alterar a sua posição geográfica e que, consequentemente, tem de enfrentar algumas realidades geopolíticas que o constrangem, no caso das pessoas existe uma maior latitude de ação. Quem não gosta da nacionalidade que os seus antepassados lhe legaram por herança irrecusável pode ser procurar uma nova nacionalidade que o acolha e que suscite a sua maior lealdade. Vem isto a propósito da identidade baralhada de Bernardo Pires de Lima (BPL). A maioria das vezes fala como norte-americano e por vezes utiliza a expressão “nós” para se referir aos portugueses. É um problema que um bom psicólogo pode ajudar a resolver.

BPL defende que os EUA devem dar mais atenção ao Atlântico e arrefecer o seu entusiasmo pelo Pacífico mostrando que este é turbulento e que no Atlântico é que se encontram as grandes oportunidades do futuro. Neste sentido o livro é claramente eivado de um patriotismo extremo em que só falta o autor se por em sentido e cantar o “The Star Spangled Banner”. Veja-se como fala dos EUA “O grande desafio será transformar esse papel de produtor no de exportador e com isso projetar a máxima força através dos oceanos Atlântico e Pacífico” ou mais á frente “áreas em que os EUA e a EU, por serem o maior bloco económico, podem afirmar padrões comuns impondo-se ao resto mundo”. Note-se o termo revelador “impondo”. Neste capítulo BPL defende que a China se vai tornar agressiva e vai entrar em conflito com os seus vizinhos, aconselhando os EUA a formar coligações militares contra (a expressão que usa é “conter”) este país. Argumenta que o Atlântico é uma alternativa mais promissora e que é aqui que os EUA devem apostar mais afundo, nomeadamente forçando a União Europeia a assinar um acordo de liberalização comercial (o TTIP).

Depois entra num confuso delírio comercial sobre Portugal procurando vender-nos o TTIP e o Atlântico e as oportunidades com o Brasil, e a Africa, as vantagens da nossa plataforma marítima, tudo misturado sem critério e sem lógica e, acima de tudo sem sentido nem coerência. É a fase da triste figura e dos sonhos da mirifica Universidade Transatântica nos Açores financiada por fundos privados, das vantagens do TTIP para Portugal, dos país transformado num hub para trocas entre os vários lados do Atlântico.

 
BPL parece não se dar conta que o comércio entre os vários lados do Atlântico já é extremamente forte e que não passa por Portugal e que por ser já grande o espaço para crescer não é muito, exatamente o que não se passa no Pacífico onde o comércio ainda está a níveis relativamente baixos e em que há grande espaço de crescimento. Também não se apercebe que Portugal, aprisionado na teia da EU, não pode sequer desenvolver acordos comerciais com o Brasil (porque essa é uma competência exclusiva da comissão europeia e os estados membros não podem assinar acordos comercial com países terceiros) que permitam desenvolver os laços económicos.

Esperava-se mais de Bernardo Pires de Lima, o maior pensador da elite dominante em Portugal.