A Orgia de Praga de Philip Roth
Um livro datado, escrito na fase final da guerra fria e como arma desse conflito que opôs os Estados Unidos e a União Soviética. A arte ao serviço da propaganda e da guerra. Uma história passada em Praga, na então Checoslováquia um país do bloco socialista, que procura apresentar esse pequeno país como uma ditadura policial, e o seu povo como pessoas sem princípios e sem espinha dorsal, capazes de se rebaixarem a apoiar todos os líderes estrangeiros que tenham força.
A trama é simples: um escritor famoso americano visita Praga para tentar trazer para o seu país um manuscrito de um conjunto de contos escritos em ídiche pelo pai de uma pessoa que o visitou em Nova Iorque. Num ambiente surreal em que todos se espiam mutuamente, em que a intelligentsia se submete resmungona a um regime que odeia, em que a ação decorre em espaços fechados que poderiam ser em qualquer lugar, o escritor procura em vão desviar ilegalmente o trabalho de um judeu há muito atropelado numa rua da cidade.
Um livro excessivamente panfletário, em que a Literatura se transforma numa caricatura sem valor.
Philip Roth (1933-2018), romancista judeu americano, colocou a sua pena ao serviço da propaganda política caindo muitas vezes na simplificação e na mentira.

