A Revolução Russa por Rosa Luxemburgo
Uma análise crítica dos primeiros doze meses da Revolução Russa liderada por Lenine em 1917. Escrito na prisão, poucos meses antes de ser assassinada, o texto de Rosa Luxemburgo elogia a determinação e a tomada do poder pelos operários e camponeses russos, mas assinala aquilo que na sua opinião foram erros estratégicos.
Os três aspetos criticados prendem-se com a) a política de defesa da autodeterminação dos povos defendida por Lenine; b) a reforma agrária com a divisão das terras dos grandes latifundiários pelos camponeses; c) a dissolução da Assembleia Constituinte e a introdução da ditadura do proletariado. Estes aspetos centrais da política do Partido Social Democrata Russo encontram oposição com base em diferentes argumentos –a distribuição de terras a quem as trabalha surge aos olhos de Luxemburgo como promovendo a propriedade privada da terra e deste ponto de vista como antissocialista; a política de autodeterminação é criticada por levar a perda de territórios e por poder ser aproveitada pela burguesia nacional desses territórios (como de facto aconteceu – Lenine disse que se essa fosse a vontade desses povos ele lhes daria a independência – e assim fez com a Finlândia); finalmente a ditadura do proletariado afasta-se da democracia que lhe parece um sistema melhor apesar de concordar tratar-se de uma forma de ditadura da burguesia.
Rosa Luxemburgo (1871-1919), revolucionária alemã. Fundou a Liga Espartaquista, que se transformou em 1919 no Partido Comunista Alemão, e o jornal A Bandeira Vermelha. No rescaldo da revolta Espartaquista em Berlim em 1919 foi presa por milícias reacionárias e fuzilada.


