quinta-feira, 11 de junho de 2026

A Revolução Russa

A Revolução Russa por Rosa Luxemburgo

 

Uma análise crítica dos primeiros doze meses da Revolução Russa liderada por Lenine em 1917. Escrito na prisão, poucos meses antes de ser assassinada, o texto de Rosa Luxemburgo elogia a determinação e a tomada do poder pelos operários e camponeses russos, mas assinala aquilo que na sua opinião foram erros estratégicos.

 

Os três aspetos criticados prendem-se com a) a política de defesa da autodeterminação dos povos defendida por Lenine; b) a reforma agrária com a divisão das terras dos grandes latifundiários pelos camponeses; c) a dissolução da Assembleia Constituinte e a introdução da ditadura do proletariado. Estes aspetos centrais da política do Partido Social Democrata Russo encontram oposição com base em diferentes argumentos –a distribuição de terras a quem as trabalha surge aos olhos de Luxemburgo como promovendo a propriedade privada da terra e deste ponto de vista como antissocialista; a política de autodeterminação é criticada por levar a perda de territórios e por poder ser aproveitada pela burguesia nacional desses territórios (como de facto aconteceu – Lenine disse que se essa fosse a vontade desses povos ele lhes daria a independência – e assim fez com a Finlândia); finalmente a ditadura do proletariado afasta-se da democracia que lhe parece um sistema melhor apesar de concordar tratar-se de uma forma de ditadura da burguesia.

 

Rosa Luxemburgo (1871-1919), revolucionária alemã. Fundou a Liga Espartaquista, que se transformou em 1919 no Partido Comunista Alemão, e o jornal A Bandeira Vermelha. No rescaldo da revolta Espartaquista em Berlim em 1919 foi presa por milícias reacionárias e fuzilada.  


 

If Russia Wins de Carlo Masala


 

If Russia Wins de Carlo Masala

 

Um livro de propaganda da guerra, vindo do seio das Forças Armadas alemãs, induzindo receios, promovendo a agressão com palavras como “contenção do inimigo”, defendendo a derrota e humilhação de uma grande potência nuclear como a Rússia, argumentando a favor do aumento dos gastos militares e, consequentes cortes na saúde, educação e segurança social, exigindo a introdução do serviço militar obrigatório, clamando pelo aumento de tropas, pelo envio de armas cada vez mais sofisticadas para a Ucrânia, pelo fim do medo do uso de armas nucleares.

 

Apresentado como um cenário possível o livro prevê uma invasão limitada da Estónia pela Rússia e descreve como tal incidente se poderia desenrolar e a reação da NATO. Fantasias de quem nos quer vestir um uniforme e a morte na planície gélida da Ucrânia.

 

O esforço de convencer os povos europeus de que a sua segurança está em perigo passa por prolongar a guerra da Ucrânia, fazê-la escalar, com introdução de armas cada vez mais potentes dos arsenais da NATO, e tentar que alastre e arraste outros países para o conflito (a Bielorrússia, a Moldova ou mesmo a Roménia). Este livro insere-se nesse projeto tenebroso que vai levar à destruição da Europa.

 

Carlo Masala (n.1986), é o Diretor do Centro de Estudos de Inteligência e Segurança da Universidade das Forças Armadas Federais em Munique.