Mostrar mensagens com a etiqueta Julian Barnes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Julian Barnes. Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de julho de 2013

A Mesa Limão

A Mesa Limão de Julian Barnes

Uma colecção de onze histórias com uma temática comum o envelhecimento visto por dentro, pelos homens e mulheres que em si mesmos vão notando os sinais da decadência física e intelectual e meditam sobre a sua própria mortalidade.

Os personagens de Julian Barnes não encaram a sua velhice com sentimento positivo, planeando o que fazer com o tempo que dispõem tendo em conta as limitações que vão tendo, mas de uma forma amarga, voltando-se para o passado que lembram com um misto de nostalgia, remorso e desilusão ou tornando-se rabugentos zangados com o mundo. Não são, na sua maioria, doentes terminais nem na generalidade têm idade muito avançada, são antes pessoas submergidas pelo espectro de uma velhice que não conseguem enfrentar.

Vidas simples ou complexas, artistas ou pacatos trabalhadores, todos ficam atordoados com o declínio das suas faculdades e experimentam um pavor e uma amargura que não podem verdadeiramente compartilhar com ninguém. Estão sós perante um inimigo fatal: a Morte.


Um livro que, nos interroga, como o faz Sibelius num dos contos, sobre o tempo mais adequado ao último movimento da vida, da nossa vida. O compositor pelo seu lado decide-se por marcar na sua pauta um sostenuto deixando para o maestro a decisão final.  Eu, por mim, faria o mesmo.

domingo, 14 de julho de 2013

The sense of an Ending

The sense of an Ending por Julian Barnes

Uma reflexão exemplificada sobre o tempo, a memória e a História. Podemos confiar na nossa memória? Lembramo-nos de factos ou da nossa interpretação deles quando os vivenciamos? Podemos confiar nos documentos? Ou haverá outros que os desmentem? Como poderá a História erguer-se neste espaço em que a memória nos atraiçoa e a documentação nos mente?

Tony Webster debate-se na neblina da memória e dos documentos para reconstituir as razões que levaram o seu jovem e brilhante amigo, Adrian, a suicidar-se, em plena juventude, há 40 anos atrás, uma morte que na altura ele julgou ser motivada por razões diferentes daquelas que agora está prestes a descobrir.

A vida é uma dádiva que podemos rejeitar? È uma dádiva mas vem, tantas vezes, com tais condições, que se transformam num preço que não estamos dispostos a pagar. Será então justificado o suicídio?

Os remorsos atormentam Webster quando lê o que ele próprio escreveu quatro décadas atrás e pouco a pouco se vai apercebendo do seu contributo para todo um drama que poderia ter sido evitado. E o remorso não tem cura, nem o perdão o pode atenuar.

Um erro de leitura de uma frase da mãe da namorada, dita enquanto prepara os ovos para o pequeno-almoço, pode levar ao suicídio do nosso melhor amigo, pessoa que ela nem conhece nesse momento? Uma frase que pensámos que nos ajudava a ler a filha e que na verdade nos devia ter alertado para a personalidade de quem a proferia.


Julian Barnes é, sem dúvida, um potencial Prémio Nobel.