Autobiografia do Vermelho de Anne Carson
Partindo de um episódio cantado pelo poeta grego Estesícoro, o mestre dos adjetivos, em que este descreve em “metro dáctilo-epítrito” um dos sete trabalhos de Héracles, que os romanos rebatizaram de Hercules, Carson transporta o episódio para a atualidade, para a relação de dois jovens norte-americanos.
Na mitologia, o herói grego confronta-se com Gerião, um mostro vermelho e mata-o, eliminando de seguida o pequeno cão de companhia do seu adversário, um ato desnecessário de crueldade gratuita.
O Gerião moderno é rapaz tímido e sensível apaixonado que gosta da fotografia e de se interrogar sobre temas filosóficos como a natureza do tempo. Héracles em contrapartida é um aventureiro sedento de conhecer o mundo.
O reencontro entre os dois em Buenos Aires reabre uma relação que parecia terminada há muitos anos e inicia um perigoso triângulo amoroso. É neste cenário que encontramos o paralelo com o antigo poema de Estesícoro.
Um livro em prosa poética, que contêm mesmo uma entrevista com o poeta grego que Helena de Troia mandou cegar.
Anne Carson (n. 1950), islando-canadiana, venceu o Prémio Nobel de 2026.


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