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sexta-feira, 22 de maio de 2026

O Pregador


O Pregador por Erskine Caldwell

 

Uma obra-prima do realismo americano, um retrato impiedoso da América rural, ignorante, violenta, racista e simultaneamente ingénua e crédula. A ação desenrola-se no Estado da Geórgia, numa região isolada de pequenas quintas dispersas.

 

O desprezo pelos filhos, os casamentos precoces, os efeitos do abuso do álcool, a violência sobre as Mulheres, a violação e o assassinato dos Negros, o vício do jogo, a miséria moral e material, a reverência às autoridades, temas apresentados, de forma direta, sem figuras de estilo, através de um enredo que gira em torno da chegada, breve estadia e partida de um estranho pregador.

 

O transe da multidão apinhada na escola, induzido por um pregador itinerante, revela-nos a psicologia dos camponeses do Sul dos Estados Unidos no início do século XX e revela-nos a estrutura social desses campos – os donos pobres mas preguiçosos, os Negros que trabalham por quase nada, aterrorizados pela violência gratuita dos patrões, o papel dos Bancos que, através de hipotecas, se vão apoderando das terras, a atração das cidades sobre as populações rurais que atraídas por ilusões acabam na prostituição.

 

Erskine Calwell (1903-1987), foi um escritor norte-americano. Pelas suas ideias progressistas foi perseguido no seu país.

 

 

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Dois Negros em Estherville

Dois Negros em Estherville de Erskine Caldwell

Dois jovens irmãos afro-americanos, Ganus e Kathyanne, chegam a Estherville, vindos do campo, para cuidar da velha tia doente.

O racismo nu e cru, mostra a sua face brutal, sangrenta e assassina e os dois irmãos vão enfrentar um doloroso calvário que nos é relatado de forma tremendamente realista.

Uma expectativa inquietante e insuportável antecede cada desgraça que vemos chegar com toda a sua pesada carga de injustiça e horror, e que explode na nossa frente com a crueldade gratuita e o sofrimento agonizante que antecipámos.

A justiça ausente, os crimes impunes, a moral cristã exposta no seu desprezo completo pela vida humana dos nossos irmãos. Os miúdos estão abandonado no vespeiro de que não podem sair, enterrados vivos em ninho de víboras esfomeadas.

Caldwell usando com mestria a descrição exata e realista, recria atmosferas atemorizantes com desenlaces anunciados que sempre nos surpreendem pela malvadez de que o ser humano é capaz.

O título surpreendentemente não segue o original que seria simplesmente Um Local chamado Estherville. Não se percebe o porquê da adulteração efetuada.

Um livro de excecional qualidade que nos desassossega, que nos revolta e nos mobiliza.

Devia ser de leitura obrigatória na União Europeia, em que o racismo e a xenofobia levantam de novo a sua feia face furibunda.