Mostrar mensagens com a etiqueta Samuel Beckett. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Samuel Beckett. Mostrar todas as mensagens

sábado, 29 de novembro de 2014

Dias Felizes

Dias Felizes de Samuel Beckett



Uma peça assustadora, que nos deixa angustiados e nos faz reflectir no sentido, ou falta dele, da Vida.

Um enorme vazio. A terra, como diria Guerra Junqueiro, “seca, deserta e nua”, os dias iguais, as vidas ocas, sem sentido, numa sucessão de dias falsamente felizes em que há “Tão poucas coisas a dizer, tão poucas a fazer, e o medo…”, e depois o nada.

O drama da existência humana com a sua consciência, com a sua inteligência, mas sem qualquer pista que nos mostre um caminho, que nos dê uma finalidade. E, contudo, precisamos que “aconteça alguma coisa no mundo”.

Beckett cultiva uma dramaturgia despojada, um teatro do absurdo, em que vai ao âmago das perguntas primordiais do Ser Humano sobre a sua identidade e sobre o seu propósito. 

Mas a sua solução a estas questões é, no fundo, uma resposta derrotista, obcecada pelo aparente absurdo da Vida, sem se aperceber que o sentido teleológico da Vida não existe e pelo contrario o objectivo da Vida é ser Vivida e nada mais.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Á espera de Godot de Samuel Beckett


O expoente máximo do Teatro do Absurdo. Uma peça em que aparentemente nada acontece e em que as suas personagens esperam, num lugar ermo, deserto e feio, por Godot que nunca aparece.

O sentido da vida que nos escapa espalhado na espera desesperada, persistente mas inútil por alguém que nos ilumine e nos salve do absurdo árido, angustiante e inescapável da existência que flui inexoravelmente para a morte.

Godot nunca chega. Mas existe e envia dois rapazes avisar que virá mais tarde. Amanhã. Dois profetas de Godot. De Deus? Godot é descrito como sendo criador de cabras e possuindo uma barba branca. Serão verdadeiros estes jovens profetas anunciadores da vinda de Godot? São o suficiente para manter a esperança e amarrar os personagens a uma espera interminável.

A simplicidade da trama, a ambiguidade do sentido da história, os diálogos com deixas curtas e rápidas, as mudanças frequentes de humor e de tema, os sentimentos fortes que caem no desalento, tornam À espera de Godot uma obra-prima amplamente reconhecida, que continua a ser levada à cena mais de 60 anos depois de se ter estreado em Paris.

Samuel Beckett recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1969.