domingo, 7 de dezembro de 2014

As Coéforas de Ésquilo



Ésquilo (525 ac – 456 ac) foi um dos maiores dramaturgos da antiguidade grega. Dele chegaram até nós um conjunto pequeno mas extraordinário de peças de que As Coéforas são um dos expoentes. As coéforas são as carpideiras gregas que levavam oferendas aos mortos.

As Coéforas são a segunda peça de uma trilogia – sendo Agamémnon a primeira e As Eumênides a terceira - que conta a história de Agamémnon, Rei de Argos, e de seu filho Orestes.

Será legítimo um filho matar o assassino de seu Pai? Segundo os costumes da época tal não só seria legítimo como era um dever sagrado a que nenhum filho se devia furtar O mesmo costume que proclamava que nenhum filho deve matar sua Mãe. Mas e se o assassino fosse a mulher do assassinado e Mãe do vingador?

Filho da assassina de seu Pai Orestes enfrenta um dilema. Que fazer? Vingar o Pai e matar a Mãe ou deixar viver a Mãe não cumprindo a sua obrigação para com o seu Pai. Espartilhado entre duas Justiças, Orestes toma uma decisão depois do seu reencontro com a sua irmã Electra.

O Bastão de Licurgo

O Bastão de Licurgo

O Bastão de Licurgo, ou cítala, é um sistema de comunicação encriptada inventado e utilizado pelos chefes militares espartanos. Um bom título para uma aventura de espionagem, contra-espionagem, métodos de cifragem e decifragem.

Tem-se tornado um hábito que em Dezembro seja publicada uma nova aventura da dupla criada por Edgar P. Jacobs o capitão Blake e o Professor Mortimer e que cada historia anual seja apresentada em duas versões que apenas diferem na capa.  A deste ano é assinada por Yves Sente e André Julliard que já tinham colaborado noutras aventuras dos dois ingleses.

Mas é tarefa inglória procurar continuar a obra de Jacobs. Mais uma tentativa que fica longe do alvo.
 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Militarmusik

Militarmusik por Wladimir Kaminer

Um retrato divertido da vida de um jovem na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), a escola secundária, o conservatório, o teatro, a música underground, as viagens pelo imensidão do país, os acampamentos nos bosques da Letónia, os concertos improvisados na Ucrânia, o serviço militar no exército e depois do fim do socialismo a tentação da emigração.

O desenrasca, a cunha, as constantes bebedeiras, a flexibilidade na aplicação das regras, o papel do Partido Comunista, dão-nos uma visão bem-humorada da sociedade socialista muito distante da dos estereótipos propagandísticos com que é descrita no Ocidente.

Fantástica a parte final em que o narrador segue de comboio para Berlim e nos vai contando as leituras que vai fazendo lendo vários livros ao mesmo tempo, intercalando livros de ficção científica com a obra de Soljenítsin sobre campos de trabalho.

Escrito por um russo emigrado na Alemanha, o livro é um misto de memórias da juventude vistas recordadas pelo prima distorçor de uma imaginação fértil com uma fina análise social dos últimos anos do socialismo soviético.

domingo, 30 de novembro de 2014

A Volta ao dia em 80 mundos

A Volta ao dia em 80 mundos por Julio Cortázar

Um livro sobre Literatura nas suas múltiplas vertentes: a) as fontes de inspiração – outros poetas e escritores, música, especialmente o Jazz, outras artes b) a atitude do artista perante o mundo – o deslumbramento a que outros chamam idiotice e o humor c) os temas literários – a alma humana, o drama social, o assassinato e os assassinos d) a posição do escritor perante a política e a religião e) os condicionamentos à criatividade - o peso da história literária, certa filosofia estética f) os leitores – com os seus variados gostos e atitudes, g) os editores.

Um livro genial em que a autor fala de tudo e de nada com elegância, com profundidade, com sinceridade e com muito bom humor.

Um conjunto de textos aparentemente soltos e independentes, que podem ser lidos em qualquer ordem, mas que expõem o pensamento de Julio Cortázar sobre a Literatura e o processo literário.
 

A Missão

A Missão por Ferreira de Castro

Este livro contém duas pequenas novelas “A Missão” e “O Senhor dos Navegantes”. 

A primeira sobre um dilema moral que uma pequena comunidade sacerdotal enfrenta durante a II Grande Guerra em França. Na aldeia coexistem dois edifícios idênticos um alberga uma fábrica onde trabalham centenas de pessoas e no outro habitam os 13 padres. Pressentindo a possibilidade de os alemães bombardearem a localidade para destruir a fábrica os padres pretendem assinalar com letras bem grandes a sua residência para assim evitar a destruição e a morte. Mas ao fazê-lo denunciam o outro edifício como sendo a fábrica condenando os trabalhadores. Que fazer?

Uma frase marcante “Quando começamos a interessar-nos profundamente pelo destino dos homens sobre a terra e a preocupar-nos com as injustiças que eles sofrem aqui, é que se abalou em nós a certeza de que o sofrimento neste mundo é o preço da felicidade no outro”.

Na segunda novela “O Senhor dos Navegantes” encontramos um louco que se julga Cristo, ou será ao contrário Cristo julgado louco, que faz se lamenta e atormenta pelas falhas da sua criação.
 

 
 

sábado, 29 de novembro de 2014

Dias Felizes

Dias Felizes de Samuel Beckett



Uma peça assustadora, que nos deixa angustiados e nos faz reflectir no sentido, ou falta dele, da Vida.

Um enorme vazio. A terra, como diria Guerra Junqueiro, “seca, deserta e nua”, os dias iguais, as vidas ocas, sem sentido, numa sucessão de dias falsamente felizes em que há “Tão poucas coisas a dizer, tão poucas a fazer, e o medo…”, e depois o nada.

O drama da existência humana com a sua consciência, com a sua inteligência, mas sem qualquer pista que nos mostre um caminho, que nos dê uma finalidade. E, contudo, precisamos que “aconteça alguma coisa no mundo”.

Beckett cultiva uma dramaturgia despojada, um teatro do absurdo, em que vai ao âmago das perguntas primordiais do Ser Humano sobre a sua identidade e sobre o seu propósito. 

Mas a sua solução a estas questões é, no fundo, uma resposta derrotista, obcecada pelo aparente absurdo da Vida, sem se aperceber que o sentido teleológico da Vida não existe e pelo contrario o objectivo da Vida é ser Vivida e nada mais.