domingo, 20 de setembro de 2009

Tudo o que sobe deve convergir

Há pessoas que se deixam ficar para trás, que não percebem que os tempos mudaram, que persistem nas velhas maneiras do passado que sempre conheceram e em que prosperaram, foram bem sucedidas e felizes. Elas são, paradoxalmente, uma prova da evolução social e dos costumes. Elas são como que um museu ambulante, mostrando, pelo seu comportamento e pela sua atitude, o que era o antigamente.

Mas nos novos tempos estão desajustadas e é só uma questão de tempo até que a nova realidade, brutalmente, por vezes mesmo mortalmente, se lhes imponha.

As personagens de Flannery O´Connor são estas pessoas desajustadas do seu tempo e modo, personalidades que perderam o comboio da transição e ficaram perdidas no tempo, sem mapa comportamental para os dias em que ainda vivem. Os racistas rurais, cheios de superioridade e condescendência com os pretos, os cristãos fundamentalistas, os bem-intencionados ingénuos da província, todos desprotegidos no mundo moderno. Agarrados a ideias passadas, agindo como se o mundo fosse o dos seus anos de juventude, afundam-se lentamente e agonizam na nova sociedade.
A verdade é que todos os tempos são tempos de transição.

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