sábado, 11 de março de 2017

Sem Tréguas



Sem Tréguas por Giovanni Pesce

A história de sacrifício e luta de um combatente antifascista italiano, primeiro integrado nas Brigadas Internacionais lutando na Guerra Civil Espanhola contra as tropas fascistas espanholas, alemãs e italianas, depois no seu país como membro da resistência.

Integrado no GAP, pequenas unidades que desenvolviam em condições de estrita clandestinidade e grande perigo ações armadas nas cidades ocupadas pelos alemães no Norte de Itália, Pesce liderou grupos de guerrilha urbana em Turim, Milão e outras cidades, que levaram a cabo numerosas acometidas de sabotagem a linhas de comboio, de ataque a colunas automóveis e de destruição de outros alvos.

Mas apesar de constituído por pequenos grupos de homens, os GAP sempre se articularam com o movimento mais geral de resistência civil e armada.

Este é um comovente livro de memórias de Guivanni Pesce e uma homenagem aos muitos gapistas mortos em ação e àqueles que foram presos, torturados e mortos pelos alemães ou pelas milícias fascistas de Mussolini.

Um livro imprescindível para perceber a História Italiana da II Guerra Mundial e do período que se lhe seguiu.

sexta-feira, 3 de março de 2017

O Caminho da Cidade



O Caminho da Cidade de Natalia Ginzburg

A vida de uma rapariga de uma aldeia napolitana que vem regularmente à cidade passear e visitar a sua irmã que aí reside e a sua relação com o namorado, um estudante de medicina oriundo de família de um estrato social superior ao seu e com o seu primo favorito.

Um retrato de uma Itália pobre, suja, moralista e desigual, uma reflexão sobre a separação entre a atração física e a espiritual que por vezes se reparte por pessoas diferentes e que só a morte pode resolver em definitivo.

Escrito na primeira pessoa e num tom predominantemente delicado mas desprendido e direto Natalia Ginzburg prende o leitor da primeira à última linha desta novela. Atente-se nesta frase “Tirou as provisões do saco. Também tinha vinho dentro dos cantis e obrigou-me a beber, até me deixar cair entontecida sobre a erva e aconteceu aquilo de que estava à espera”.

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Foi assim



Foi Assim

A confissão em tom sereno mas muito melancólico de uma mulher infeliz e introspectiva. A novela começa com factos crus, exactamente sequenciais e aparentemente banais “Fui à cozinha e fiz o chá, pus-lhe o leite e o açúcar e deitei-o no termo, enrosquei muito bem o copinho e depois voltei ao escritório. Então mostrou-me o desenho e eu tirei o revólver da secretária dele e disparei. Disparei-lhe nos olhos”.

Um casamento incomum, um desgosto gigantesco, uma vida amargurada, triste e sem esperança empurram rápida e inexoravelmente a protagonista em direcção ao ato final.  

A sua obra é variada espraiando-se do teatro, à novela, ao romance aos contos e mesmo ao ensaio e à crítica. Várias dos seus livros estão vertidos em filmes.

Natália Ginzburg (1916-1991) nasceu em Palermo, viveu na Itália. Resistente antifascista viu o seu marido, Leone Ginzburg, ser preso, torturado, crucificado e morto na prisão. Este livro é-lhe dedicado.

Natália pertenceu sempre ao Partido Comunista Italiano e chegou a ser deputada eleita em 1983 nas listas do PCI.