
Passados praticamente 30 anos da ascensão ao poder da dupla Reagam-Tatcher e do neo-liberalismo que romperam com o anterior consenso social-democrata é já possível fazer um balanço do resultado dessa viragem política no mundo ocidental.
Tony Judt dá aqui um importante contributo para esse julgamento explicando o sucesso da social-democracia no período pós II Guerra, criticando as ideias da escola de Viena e mostrando os resultados concretos das políticas neo-liberais seguidas - crescimento exponencial da desigualdade, ineficiência da nova gestão das empresas privatizadas, regresso do problema social que parecia resolvido. A prova final do desastre destas escolhas está à nossa frente: a terrível e longa crise iniciada em 2007 cujas destruidoras consequências económicas e humanas ainda estão em fase de concretização.
Judt advoga um regresso a uma social-democracia reinventada, adaptada ao mundo mais globalizado e tecnologicamente mais desenvolvido em que vivemos, em que a luta contra as desigualdades sociais seja a primeira prioridade.
Judt não é um dogmático e não pensa que a social-democracia seja o regime perfeito, é, para ele, simplesmente o menos mau considerando as alternativas – o socialismo real como foi vivido na antiga União Soviética e o neo-liberalismo actual. Daí que a defesa da social-democracia seja feita de um ponto de vista profundamente prático, esse sistema funciona melhor e de forma mais eficiente.
O medo da explosão social e da pauperização da sociedade serão em sua opinião os principais catalisadores do regresso da social-democracia.
Este foi o último livro, um verdadeiro testamento político, de Tony Judt que morreu, de doença prolongada, pouco depois de o acabar. O bom senso dos argumentos, a clareza das ideias e a tolerância dos ideais são consistentes com a defesa de um regime de compromisso e moderação social.
Poderia ser um livro amargo virado para o passado, não é. Pelo contrário é uma obra simples, clara, decididamente precursora de um futuro que Judt sabia já não poder viver.
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