quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O que nunca mais Recuperamos


O que nunca mais Recuperamos de Luís A. Fernandes

 

Poesia depressiva, de recordações de defuntos, de visitas às campas nos cemitérios, de velhice, decadência física, e morte, de tristeza, de amores passados e solidão. Um estilo complexo em que a falta de pontuação dificulta a leitura e obriga a refletir no significado exato das palavras.

 

Uma atmosfera depressiva, fria, decrepita, infeliz, sem esperança nem redenção, mas lúcida, atenta e humana.

 

Alguns versos pintam quadros realistas “cheira a velho- velho / dos livros na estante / e a mijo do gato” outros tocam a alma humana atormentada “não passamos de pinturas / à espera de restauro”. O pessimismo sempre presente “estamos velhos, criança / hoje é a terra que nos come a todos” porque ao tempo “é preciso tentar escapar-lhe / sempre com a mesma força / com que todos os dias / ele nos vai desfazendo”. O próprio autor define a sua obra “era um poema triste / como são todos os que /saem diretos coração papel”.

 

Temáticas difíceis num tempo ligeiro, numa sociedade envelhecida e que paradoxalmente, ou talvez não, glorifica a juventude, o otimismo e não gosta de falar do inevitável fim da vida.

 

Vencedor do Prémio Revelação de 2023 da Câmara de Oeiras.

  

Luís A. Fernandes (n. 1989), jurista oriundo da Guarda vive em Lisboa.

 

 

Sem comentários:

Enviar um comentário