Crioulo e Português em Cabo Verde – Um Repto entre Diluição e Afirmação por Hans-Peter Heilmair
A língua é um poderoso instrumento de desenvolvimento. Uma sociedade que não disponha de língua torna-se não funcional e não se consegue desenvolver. Em Cabo Verde o crioulo tem servido de língua materna à maioria dos habitantes e poderia ser a língua do desenvolvimento mas, estranhamente, a grande maioria é analfabeta na sua língua e o ensino de forma disfuncional é ministrado numa língua que as crianças não dominam –o português. O insucesso prático segue-se. Na generalidade dos casos quando um jovem cabo-verdiano vem para Portugal as dificuldades escolares são enormes, tem de seguir aulas de Português Língua Não Materna e, por regra atrasa-se nos estudos.
A política de ensino de Cabo Verde está a prejudicar o próprio país e a limitar as suas capacidades de desenvolvimento ao insistir na ficção de manter um sistema de ensino numa língua diferente daquela que é a língua materna nos cidadãos de Cabo Verde.
Mas é pior. O crioulo, porque não ensinado, porque não aprendido na sua gramática, léxico e plenitude formal, está a perder rapidamente as suas características e a misturar-se com o português descaracterizando-se. Assim Cabo Verde pode perder a sua língua e ficar com uma mistura de duas línguas, situação em que a população nem fala português nem língua cabo-verdiana. Na época da ciência e do conhecimento não ter uma língua escrita própria é uma desgraça, uma condenação à ignorância e ao atraso.
Este livro é um grito de alerta. Uma excelente análise da situação da língua cabo-verdiana em Cabo Verde e dos caminhos que tem percorrido e dos remédios que a podem salvar.
Hans-Peter Heilmair (n. 1957), linguista alemão, tem uma obra firmada no domínio da língua e da cultura de Cabo Verde.


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