Magnifica Humanitas pelo Papa Leão XIV
Encíclica para os nossos tempos, baseada na Doutrina Social da Igreja, corpo teórico erguido a partir da Rerum Novarum (Novas Questões) de Leão XIII, Magnifica Humanitas aborda dois fenómenos, estreitamente ligados, a emergência da Inteligência Artificial e o da generalização da violência e da guerra como forma de resolução de conflitos internacionais.
Parte da constatação de que as “inovações tecnológicas – entre elas a inteligência artificial – não são neutras: podem aumentar a participação e a justiça ou, pelo contrário, agravar desigualdades, controlo e exclusão”. O Papa vê sinais de perigo no atual caminho de implementação da IA e apela mesmo ao abrandamento da sua adoção, à sua regulação, à participação cidadã e ao alinhamento da IA com os valores humanos. Nas suas palavras hoje a “IA tende a reforçar sobretudo o poder daqueles que já dispõem de recursos económicos” de “pequenos grupos muito influentes” que “podem orientar a informação e o consumo, condicionar processos democráticos e incidir sobre dinâmicas económicas em seu próprio benefício”.
Leão XIV diverge da ideologia transhumanista e dos pós-humanistas e apela à aceitação da natureza humana.
Muito relevante é o pedido de perdão em nome da Igreja pelo apoio e participação na escravização de seres humanos ao longo de séculos.
Os últimos capítulos incidem sobre a guerra e condena o uso de tecnologias que promovem a violência, retiram a responsabilidade aos atores militares, e defende a via do diálogo para a manutenção da Paz mundial.
Um ensaio extraordinário que merece leitura atenta.


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