sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Histórias de Livros Perdidos


 

Histórias de Livros Perdidos por Giorgio van Straten

 

A saga dos manuscritos de grandes génios da Literatura ocidental que por acidente ou vontade própria ou alheia nunca foram impressos e se perderam para sempre.

 

A mala roubada contendo os primeiros contos de Ernest Hemingway, as labaredas devoradoras de obras inéditas de Byron e de Gogol, o suicídio de Walter Benjamin ou de Sylvia Plath, o assassinato de Bruno Schulz, a cabana de queimada Malcom Lowry, a vontade da viúva de Romano Bilenchi, selaram o destino de trabalhos que enriqueceriam o acervo literário da humanidade.

 

Escrita em tom didático mas suave, esta obra Straten, em que demonstra, mas não exibe, uma erudição enciclopédica, faz uma viagem biográfica pelas circunstâncias e pelos temas que atormentavam estes escritores e que, direta ou indiretamente, levaram à tragédia.

 

Um livro que se lê com agrado, surpresa e velocidade, com o qual se aprende muito e que suscita a reflexão sobre o processo criativo.

 

Giorgio van Straten (n. 1955), italiano, de origem judia-holandesa, construiu uma carreira como gestor cultural, tradutor e escritor. Venceu numerosos prémios de Literatura. Histórias de Livros perdidos tem tradução em múltiplas línguas ocidentais.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Liderança - Seis Estudos sobre Estratégia Mundial


 

Liderança – Seis Estudos sobre Estratégia Mundial por Henry Kissinger

 

Aparentando ser uma reflexão sobre liderança centrado na apresentação de seis lideres mundiais – Konrad Adenauer, Charles de Gaulle, Richard Nixon, Anwar Sadat, Lee Kuan Yew e Margaret Thatcher – este é um livro de memórias de Henry Kissinger nomeadamente centrado nos tempos em que exerceu funções nas administrações de Nixon e de Gerald Ford e em que esteve envolvido na política mundial.

 

Os seis dirigentes escolhidos têm entre si a particularidade de depois de serem humilhados e ofendidos pelos Estados Unidos permaneceram fiéis à aliança com os norte-americanos e às orientações destes em política externa e interna. Charles de Gaulle viu-se minimizado e contrariado durante a II Grande Guerra mas permaneceu fiel aos americanos até ao fim, Konrad Adenauer foi a correia de transmissão americana depois do fim da guerra, aceitando todas as imposições ocidentais, Anwar Sadat, expulsou os conselheiros soviéticos, perdeu uma guerra, que tinha as condições plenas para a vitória, graças aos apoio militar massivo dos Estados Unidos ao seu adversário e tornou o Egito o primeiro país árabe a reconhecer Israel alinhando-se com os americanos, Lee Kuan Yew substituiu a presença militar inglesa em Singapura pela americana tornando-se um grande homem aos olhos de Kissinger, Margaret Thatcher viu recusado apoio americano na crise das Malvinas, não aceitaram o seu ponto de vista contrário à unificação alemã (ela defendia a continuação de duas Alemanhas) mas persistiu sempre na relação transatlântica especial. Todos grandes líderes por se alinharem com o poderio americano, todos grandes dirigentes porque perceberam de que lado está a força e se dobraram perante esse facto incontornável.

 

Aqui se passam em revista a guerra do Vietname, a Guerra Fria, a détente, a crise da Irlanda do Norte, a greve de fome de Bobby Sands, as guerras de Israel contra os países árabes, a crise de Berlin ocidental, entre outros importantes acontecimentos dos anos 1970.

 

Um interessante e muito atual ensaio final sobre liderança e como se formam dirigentes e estadistas.

 

Estilo muito aliciante, leitura agradável. Muita informação interessante. Um livro de grande fôlego e qualidade.

 

Teoria e Prática Revolucionária

Teoria e Prática Revolucionária por Amílcar Cabral

 

Uma seleção pobre e repetitiva de oito excertos e pequenos textos de Amílcar Cabral descontextualizados que repetem duas ideias essenciais: que a luta de libertação da Guiné e Cabo Verde se travou contra o regime colonial-fascista de Salazar-Caetano e não contra o povo português e que o Partido Comunista Português e os países socialistas apoiaram ativamente o PAIGC. Se estes são factos históricos indiscutíveis, a verdade é que o pensamento teórico e a prática revolucionária de Amílcar Cabral não se revelam nestes textos, declarações diplomáticas de agradecimento e amizade.

 

Das lições da luta, do pensamento de Amílcar Cabral, da libertação de vastas áreas e da organização de um Estado nesses territórios, da estratégia político-militar que derrotou o exército colonial, da aplicação criativa do marxismo às condições da Guiné-Bissau, das intervenções internacionais, pouco ou nada foi escolhido.

 

O livro fica completa com parte de uma entrevista de Álvaro Cunhal, um prefácio de José Augusto Esteves e uma reportagem da Rádio Portugal Livre. Esta última a parte mais interessante do livro.  

 

Fica um sabor anódino de uma oportunidade perdida, por excesso de etnocentrismo, de reeditar alguns textos substanciais de Amílcar Cabral.