A Cidade dos Prodígios por Eduardo Mendoza
Um livro, de grande fôlego narrativo, dramático, histórico e literário que se vindo do mundo anglo-saxónico falante de inglês já teria merecido um Prémio Nobel. Mas sendo o seu autor nascido na Catalunha e escrevendo em castelhano mesclado por ternos catalães tem sido sistematicamente esquecido pelo júri nórdico.
A evolução de uma cidade no período que vai de uma grande Exposição Universal (Expo) a outra décadas depois. Uma evolução descrita pela vida atribulada, mas bem-sucedida, de Onofre Bouvila, um meliante pobre que por meio de golpes bem urdidos se transforma na pessoa mais rica da cidade.
Através de estilo direto, realista, cheio de humor, Mendoza compõe aqui um hino a Barcelona, contando-nos a sua história urbanística e social. Vemos emergir os bairros de lata, os prédios em que o cimento se mistura com areia, a terrível especulação de terrenos, a par de uma história de um homem que se impõe pela sua falta de escrúpulos, pelo recurso à violência, pela vontade férrea e inteligência.
A difícil relação entre a Catalunha e o poder espanhol, a cidade e a sua periferia rural, o mundo dos negócios, da política, com a ascensão da ditadura de Primo Rivera e a sua derrocada.
Eduardo Mendoza (n. 1943), escritor catalão, foi vencedor do Prémio Cervantes de 2016.
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