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terça-feira, 30 de maio de 2023

O Navio Night


 

O Navio Night por Marguerite Duras

 

Reúnem-se aqui um conto e a trilogia de Aurélia Steiner obras que foram depois transpostas para o cinema pela própria autora assumindo assim também a função de realizadora.

 

O Navio Night expõe a insuportável tensão entre o desejo e a distância que separa os dois jovens apaixonados e que os impele para um longo, doloroso amor platónico à beira da loucura. Um fosso essencialmente social, psicológico e sanitário separa os amantes que permanecem unidos por um fino fio de cobre.

 

A trilogia de Aurélia Stein revela-nos uma atmosfera terrível em que a desgraça une passado e presente, homem e mulher, o desejo e a morte, numa rememoração histórica da mais sangrenta catástrofe europeia.

 

Uma bela prosa poética, erudita, metafórica que nos absorve, envolve e submerge num turbilhão de emoções e acontecimentos e nos obriga a viver a angústia dos protagonistas e a olhar de frente os cenários que os envolvem. Um estilo em frases e parágrafos curtos, enxutos mas simultaneamente insubstituíveis e necessários.

Marguerite Duras (1914-1996) escritora e realizadora francesa, foi a vencedora do Prémio Goncourt de 1984 pela sua obra O Amante.

sábado, 28 de maio de 2016

Agatha



Agatha de Marguerite Duras

Procurando fazer-nos crer, que inspirada na obra de Musil, Um Homem sem Qualidades, por explicitamente a convocar, esta peça de teatro glossa um dos grande temas da obra de Marguerite Duras: o incestuoso amor entre irmãos.

Agatha e o irmão partilham recordações e dolorosamente felizes de tempos de uma juventude não muito longínqua, passada à beira de água, com uma mãe sempre presente. Episódios fragmentados, sem sequência mas que juntos contam as suas histórias e o seu amor proibido.

A escrita de Durras, com as suas frases suspensas, através do subentendido, do não dito mas pressentido, revela-nos esta história triste, sempre num clima de uma terrível tensão civilizadamente contida entre as duas únicas personagens.

Magistral pelo seu minimalismo, pela atmosfera que cria, pelas emoções que desencadeia.

domingo, 12 de outubro de 2014

O Amante por Marguerite Duras


Uma jovem adolescente francesa vivendo na Indochina francesa é empurrada pelas circunstâncias familiares para uma relação pedofila com um milionário chinês. O papel da família, nomeadamente da Mãe, louca e obcecada por projectos megalómanos, e do irmão mais velho, um jovem irresponsável, preguiçoso e viciado no jogo, é escalpelizado com crueza e sem sentimentalismos.

A relação que se inicia com a oferta de um cigarro numa barcaça que atravessa as agua revoltas do rio Meckong quando a jovem, de 15 anos. Nessa altura a rapariga abandona o autocarro que a levaria ao colégio interno que frequentava e entra no luxuoso automóvel com motorista daquele que viria a ser o seu amante durante mais de um ano. A pobreza, mas mais importante a falta de adequada supervisão e protecção da família colocam a jovem num risco que se veio a concretizar, ou numa interpretação mais horrenda que desejavam que se concretizasse.

Esta relação vai para sempre marcar indelevelmente a personagem e inquinar definitivamente as suas relações com a Mãe e o irmão que nada fizeram para resgatar a criança desses abusos continuados. Pelo contrário aproveitaram ao máximo as pequenas migalhas, jantares em restaurantes elegantes, pequenos presentes, que o milionário lhes estendia e incentivando-a até a tentar obter vantagens financeiras.

Um livro violento em que as memórias fluem a par com uma reflexão profunda, mas eivada de ressentimento e ódio, sobre esta relação proibida analisada pelo prisma da vítima.


Muito curioso o facto de o abusador, o amante, ser visto como um agente da sua mãe e do seu irmão mais velho para lhe fazer mal e não um verdadeiro criminoso pedófilo. O seu comportamento criminoso é praticamente apagado naquilo que pode ser interpretado como uma versão da síndrome de Estocolmo em que a vítima se solidariza com o seu agressor. 

quarta-feira, 18 de março de 2009


A vida de sacrifício, esforço e audácia de uma Mãe para dar um futuro melhor aos seus filhos e a amargura e a revolta que a invadem quando os seus projectos se desmoronam como a barragem que ergueu contra o Pacífico. Um diamante acalenta uma nova e derradeira esperança, que se desfaz com a bem intencionada mas de novo desastrosa utilização dos proventos da sua venda. A emancipação dos filhos dita uma morte prematura.

Uma história triste e dura passada na Indochina francesa dos tempos coloniais.