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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Kikia Matcho

Kikia Matcho de Filinto de Barros


Kikia Matcho é mais uma discrição antropológica e sociologia da multiplicidade cultural guineense. Por aqui desfilam as múltiplas tribos, religiões, crenças, etnias que transformam a sociedade deste pequeno estado africano num autêntico melting pot, rico, diversificado e exuberante.

A Luta dividiu os guineenses, muitos citadinos juntaram-se no mato à guerrilha, mas outros foram alistados no exército colonial português e obrigados a combater os seus compatriotas. Outros ainda, desiludidos desertaram do PAIGC.

A desilusão com a Independência, o abandono a que foram votados os Combatentes da Luta pela Independência, o contraste entre uma liderança capaz de lançar uma guerra vitoriosa mas incapaz de desenvolver o País.

A diáspora emigrada em Portugal: um retrato terrível e verdadeiro sobre a forma racista como estes emigrantes são recebidos e de como a sua vontade de integração na sociedade portuguesa é cerceada e dificultada. “O racismo, sobretudo o desprezo, fazia-a ficar tensa. Queria ser como eles, dizer-lhes que ela era igual, que era também portuguesa como eles, que estava disposta a a cantar o Heróis do Mar, enfim, queria que Portugal fosse aquilo que sempre lhe ensinaram na escola primária: a Mãe Pátria.” Mas anos de barracas e discriminação, naturalmente eliminam esses sentimentos e os sentimentos de revolta brotam.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Jesusalém


Um dia Deus nos virá pedir desculpa
(página 23)

Um livro surpreendente, pleno de expressões e situações fantásticas, a raiar o delírio.

Uma primeira parte deliciosa misteriosa, filosófica, que nos faz reflectir e imaginar. Uma segunda parte, com o regresso da família Vitalício à cidade / mundo ressuscitado e com o desenlace da trama, demasiado prosaica e banal, que de algum modo desbalanceia o livro e lhe retira algum do muito lustro obtido na fase da história passada em Jesusalém.

Deveras surpreendentes são cenas como a “cerimónia do desbaptismo” ou as disputas que se traduzem em “dois dedos de desconversa”, ou as que conduzem a “uma desilusão óptica” deliciosas as frases como “Não gosto de antiguar os tempos” ou “Lá anda Zacaria com nas suas maluquinações” ou ainda “No resto, vamos vagalumeando”e “Vá lá ver o que não se passa” profundas as observações “Esperas. É isso que a estrada traz. E são as esperas que fazem envelhecer”, “E todo o bom pai enfrenta a mesma tentação: guardar para si os filhos, fora do mundo, longe do tempo”.

Excelente livro. O melhor que li dos editados este ano.