terça-feira, 18 de outubro de 2016

Dois Negros em Estherville

Dois Negros em Estherville de Erskine Caldwell

Dois jovens irmãos afro-americanos, Ganus e Kathyanne, chegam a Estherville, vindos do campo, para cuidar da velha tia doente.

O racismo nu e cru, mostra a sua face brutal, sangrenta e assassina e os dois irmãos vão enfrentar um doloroso calvário que nos é relatado de forma tremendamente realista.

Uma expectativa inquietante e insuportável antecede cada desgraça que vemos chegar com toda a sua pesada carga de injustiça e horror, e que explode na nossa frente com a crueldade gratuita e o sofrimento agonizante que antecipámos.

A justiça ausente, os crimes impunes, a moral cristã exposta no seu desprezo completo pela vida humana dos nossos irmãos. Os miúdos estão abandonado no vespeiro de que não podem sair, enterrados vivos em ninho de víboras esfomeadas.

Caldwell usando com mestria a descrição exata e realista, recria atmosferas atemorizantes com desenlaces anunciados que sempre nos surpreendem pela malvadez de que o ser humano é capaz.

O título surpreendentemente não segue o original que seria simplesmente Um Local chamado Estherville. Não se percebe o porquê da adulteração efetuada.

Um livro de excecional qualidade que nos desassossega, que nos revolta e nos mobiliza.

Devia ser de leitura obrigatória na União Europeia, em que o racismo e a xenofobia levantam de novo a sua feia face furibunda.
 


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