sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Viagem ao País da Manhã por Hermann Hesse

 Pode uma personagem agigantar-se e tornar-se mais real, mais consistente, mais credível, mais densa que o seu autor? Pode a obra suplantar o criador? Pode a vida de um alimentar o brilho do outro? Pode a energia, o talento do escritor transvasar, transferir-se para a personagem que imaginou, deixando-o destroçado, vazio e seco.

Na demanda pelo país da manhã cada um pode perseguir o seu próprio sonho, pode enveredar pelo melhor caminho para lá chegar, gozando de uma ampla liberdade.

Este conto tem uma dupla leitura. Como a história da Ordem espiritual que o narrador abraçou na juventude, que a dado momento pôs em causa e à qual pretende, arrependido e infeliz, voltar. É uma bela gesta, plena de magia, mistério e de interessantes e profundas lições de moral.

Mas também pode ser entendida como alegoria ao trabalho do Artista, do músico, do pintor, do escritor. Um trabalho em que a matéria-prima é o seu próprio ser e que por imperativo o Artista metamorfoseia, através da sua Arte, noutro tipo de vida mais profundo e mais puro.


Hermann Hesse ganhou o Prémio Nobel da literatura, logo a seguir à II Grande Guerra, em 19746.

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